Arvo, Tivita e Caveo prop�em solu��es da sa�de para o mercado financeiro

Arvo, Tivita e Caveo prop�em solu��es da sa�de para o mercado financeiro

Empresas de tecnologia que nasceram para resolver gargalos operacionais do setor da saúde —como validação de contas médicas, cobrança de honorários e gestão financeira de médicos— passaram a operar produtos financeiros. Os casos da Arvo, da Tivita e da Caveo ilustram esse trajeto. Arvo: da validação técnica à "infraestrutura financeira" A Arvo usa inteligência artificial para validar, em nome dos planos de saúde, as contas cobradas por hospitais e prestadores. Segundo o CEO e fundador Fabrício Valadão, a fronteira entre auditoria e operação financeira é tênue: "Auditoria, ela é uma etapa fundamental da transação financeira da saúde." Toda transação tem, para ele, um componente informacional, hoje o foco da empresa, e um componente financeiro, ainda não operado diretamente. "A gente já pode ser qualificado como uma infraestrutura financeira", diz. Valadão atribui a migração de healthtechs para o financeiro à complexidade do setor: diferente de uma compra de padaria, uma cirurgia eletiva gera contas com centenas de itens, valores altos e regras contratuais extensas. "É muito difícil uma empresa conseguir resolver a dor financeira sem ter um conhecimento muito profundo técnico sobre o processo que envolve a saúde", afirma. Essa especialização, segundo ele, também protege a Arvo de ser replicada internamente pelos clientes: a empresa reúne, diz o CEO, um time relevante de cientistas de dados trabalhando no segmento —operação demasiado cara para ser integrada às empresas e facilitada pela terceirização. A meta da companhia para o ano é quadruplicar a base de clientes. Tivita: dados granulares como porta de entrada para o crédito A Tivita automatizava o recebimento de clientes na saúde e, com isso, passou a acumular dados detalhados sobre a origem de cada pagamento Segundo o CEO, Claudio Franco, a empresa sai da posição de "só mais um player de antecipação de recebíveis", atividade comum entre os migrantes do segmento de saúde para o financeiro. A entrada em crédito, diz ele, foi puxada por demanda: em 2024, um cliente sem caixa para pagar funcionários pediu ajuda, e a operação pontual virou modelo. Para atender clientes maiores sem depender de integrações lentas com sistemas legados, a empresa criou um fluxo que dispensa integração. Em julho de 2026, a Tivita lançou o Tivita Pay, reunindo a ferramenta Repasse Inteligente, rateio automático entre instituição e profissionais, e a antecipação de honorários médicos em até 24 horas. O produto responde ao descompasso entre o prazo de pagamento dos planos (mais de 70 dias) e a exigência dos profissionais (30 a 45 dias). "O Tivita Pay resolve as duas pontas: o profissional recebe em 24 horas e o hospital ganha prazo para pagar, sem financiar o atraso da operadora com o próprio capital de giro", diz Franco. Na primeira fase, o foco são hospitais e redes com faturamento acima de R$ 150 milhões/ano. A empresa já processou mais de R$ 1 bilhão em pagamentos e soma mais de mil clientes. Franco também aponta três frentes com espaço para inovação: a área clínica (fora do escopo da Tivita), o atendimento/agendamento, aposta da empresa via WhatsApp, e o back office, onde cita o caso de uma operação com "100 pessoas sentadas com computador na frente" digitando pedidos médicos manualmente. Caveo: da contabilidade médica ao banking PJ e PF A Caveo nasceu como contabilidade digital para médicos, público que, por atuar como pessoa jurídica, já demandava soluções financeiras. "A gente sempre teve pezinho em fintech, apesar de vender para médico", diz o fundador Wilgo Cavalcante Ferreira, que compara a trajetória à da XP (que começou com cursos de investimento) e do Nubank (que operou anos só com cartão de crédito antes de virar banco completo). Ferreira diferencia a Caveo de concorrentes como Tivita, Revex e Amigo Tech, que atuam na jornada de hospitais e clínicas: a empresa optou por focar na relação entre médicos e outros tomadores de serviço. "A maioria das healthtechs se resumem a produto, antecipação de recebível", afirma Cavalcante, dizendo que ainda há espaço para quem decide mexer com operações financeiras no segmento. A empresa anuncia pelo menos três soluções financeiras voltadas para médicos neste semestre. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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