Arquivos dos EUA sobre �vnis re�nem muitas fotos borradas e relatos n�o confirmados

Arquivos dos EUA sobre �vnis re�nem muitas fotos borradas e relatos n�o confirmados

Nos Estados Unidos, os caçadores de alienígenas agora estão no comando. Ou, pelo menos, o presidente Donald Trump preencheu um novo conselho consultivo sobre óvnis com vários cientistas que defendem a ideia de que tecnologia alienígena pode estar escondida entre nós. O painel foi criado neste ano, em meio à divulgação pelo governo de registros oficiais sobre fenômenos anômalos não identificados (UAP, na sigla em inglês), como agora são oficialmente chamados. Sua missão é ajudar a desvendar os mistérios desses objetos. "Mesmo que 1 em 1 milhão seja de origem tecnológica extraterrestre, essa seria a maior descoberta científica já feita pela humanidade", afirmou o astrofísico Avi Loeb, da Universidade Harvard, presidente do novo painel. Trump afirmou nas redes sociais que estava divulgando os documentos para que "as pessoas possam decidir por si mesmas: ‘Que diabos está acontecendo?’". Os arquivos, alguns dos quais já haviam vindo a público, vão de vídeos militares de baixa qualidade a considerações do governo sobre buracos de minhoca interestelares. Os críticos veem o painel governamental como um desvio em relação ao trabalho criterioso de grupos semelhantes do passado e como algo alinhado à hostilidade do governo contra grande parte da ciência convencional. Loeb é mais conhecido por ter teorizado que Oumuamua, um objeto interestelar em forma de charuto que atravessou o Sistema Solar há alguns anos, tinha origem alienígena e era "o primeiro sinal de vida inteligente fora da Terra". A hipótese gerou controvérsia e forte resistência no meio acadêmico. O conselho também inclui Tim Gallaudet, contra-almirante aposentado e oceanógrafo que já falou sobre a presença de inteligência não humana. Em entrevista ao jornal The New York Times, ele afirmou que objetos "que não são de nossa origem" estavam "operando impunemente em nosso espaço aéreo e em nossas águas". Outro integrante do conselho, Garry Nolan, professor de patologia da Universidade Stanford, estudou materiais anômalos e teorizou que "há algo não humano aqui, e isso está aqui há muito tempo". Alguns ex-integrantes do governo estão revirando os olhos diante do novo conselho. "Na melhor das hipóteses, acho isso risível; na pior, um desperdício do dinheiro dos contribuintes. Não serve para absolutamente nada", disse Sean Kirkpatrick, que atuou na gestão Joe Biden como diretor do escritório responsável por coordenar os esforços do governo para rastrear fenômenos inexplicáveis. Segundo ele, o novo conselho foi "claramente criado para desviar a atenção e promover teorias marginais". Michael Shermer, integrante do conselho, reconheceu que muitos avistamentos estão "presos nessa espécie de zona de pouca informação", na qual "não dá para discernir muito bem o que está acontecendo". Enquanto o conselho dá início aos trabalhos, o jornal The New York Times examinou os seis lotes de arquivos divulgados neste ano e pediu a avaliação de integrantes do painel e também de seus críticos. A era de 'Arquivo X' chegou? Já estamos há cerca de meia década em uma era de maior transparência sobre os fenômenos anômalos não identificados (UAP). Em 2022, o Pentágono participou da primeira audiência do Congresso em mais de meio século dedicada a relatos militares de fenômenos inexplicados. Representantes do governo Biden fizeram o possível para conter a empolgação. Scott W. Bray, então vice-diretor de inteligência naval, afirmou que as autoridades não "tinham quaisquer destroços inexplicáveis, que não fossem compatíveis com uma origem terrestre". Mas a situação tomou outro rumo no ano seguinte, quando David Grusch, ex-funcionário da inteligência, afirmou que um programa secreto do governo vinha coletando havia muito tempo materiais de origem não humana. Kirkpatrick, por sua vez, disse que nunca encontrou "qualquer evidência de tecnologia alienígena ou de uma conspiração governamental". E acrescentou: "Eu disse ao Congresso e a vários jornalistas: vejam, a melhor coisa que poderia ter acontecido naquele cargo seria eu ter encontrado os alienígenas e poder apresentá-los ao público, mas não encontrei". Destaques dos novos arquivos Em 2023, dois agentes federais foram incumbidos de investigar a atividade de drones nos arredores de locais sensíveis no oeste dos EUA. Em uma noite de outubro, eles se depararam com uma série de luzes que se moviam rapidamente. Os agentes apagaram os faróis e aceleraram em direção ao aglomerado luminoso, orientando-se por equipamentos de visão noturna. Conforme se aproximavam, as luzes convergiram em "uma única luz intensa, branca e alaranjada, semelhante a uma esfera, com um brilho parecido com um halo", relatou um dos agentes em um documento recentemente desclassificado. Eles chegaram a menos de 50 metros de distância, mas então o objeto se deslocou rapidamente em outra direção e mudou de rumo mais uma vez quando tentaram segui-lo, antes de desaparecer. Os agentes encostaram o veículo. A esfera reapareceu. Desta vez, deu origem a um conjunto de luzes laranjas e roxas que cruzaram em alta velocidade 6 km de terreno acidentado. A perseguição infrutífera recomeçou. Um dos agentes comparou a experiência a perseguir o carro voador da série de livros "Harry Potter". Eles estavam entre seis agentes que "relataram ter observado ‘orbes lançando outros orbes’" ao longo de dois dias, segundo um memorando recente do Pentágono. Qualquer que seja a origem, episódios como esses são compreensivelmente instigantes. O mesmo vale para acontecimentos mais antigos, registrados em arquivos. Em fevereiro de 1949, cientistas realizaram uma conferência em Los Alamos, no Novo México, para discutir bolas de fogo verdes avistadas nas proximidades de instalações de pesquisa. Os registros mostram que os participantes, entre os quais Edward Teller, um dos criadores da bomba de hidrogênio, não conseguiram entender o que estava acontecendo. Loeb, presidente do conselho, disse acreditar que melhores práticas de coleta de dados poderão ajudar daqui para a frente.Quão reveladores são os novos documentos? Não muito. Greg Eghigian, professor da Penn State que estuda fenômenos anômalos não identificados, afirmou que não havia "nada de particularmente novo ou estarrecedor nos materiais". "A maioria dos pesquisadores veteranos de óvnis que conheço continua pouco impressionada com o que foi divulgado." Alguns desconfiam das motivações do governo. Ex-aliados de Trump, como Joe Rogan e Marjorie Taylor Greene, sugeriram que o presidente estava usando os arquivos sobre óvnis para desviar a atenção da guerra no Irã. O jornal The New York Times há muito registra fenômenos aéreos misteriosos, desde avistamentos de aeronaves na virada do século até objetos não identificados encontrados mais recentemente por aviadores navais. Neste ano, o jornal criou um banco de dados com cerca de 155 mil páginas de registros de fenômenos anômalos não identificados de sete países, mas não encontrou nenhum sinal definitivo de que a nave-mãe tenha pousado. Peter Skafish, antropólogo que integra o conselho do governo Trump, disse estar "convencido de que existem tecnologias que não são de origem nem de procedência humana, que há conhecimento sobre elas e alguns esforços sigilosos, ao menos para estudá-las, detectá-las e rastreá-las dentro da comunidade de inteligência". Mas ele classificou os novos registros como "o que havia de mais fácil de obter". "A comunidade de inteligência não foi criada para compartilhar informações", afirmou. "Ela existe para coletá-las, analisá-las, retê-las e mantê-las em segredo."Afinal, o que estamos procurando? Talvez não sejam homenzinhos verdes. Nem sequer criaturas biológicas. "Na verdade, estamos vivendo um momento quase único na história em relação à inteligência artificial", disse Nolan, membro do conselho e geneticista de formação. Civilizações avançadas, teorizou ele, "teriam tirado proveito da IA. Talvez sejam até indistinguíveis de algum tipo de super-IA que não compreendemos". Basta dizer que ele não espera encontrar alienígenas com dois braços e duas pernas. "Isso foi apenas fruto do acaso, algo que aconteceu no Pré-Cambriano", afirmou ele, acrescentando que "atribuir a eles expectativas e desejos humanos, antropomorfizá-los de uma forma quase romântica, é uma tolice". Uma palavra do ‘advogado do diabo’ Loeb escreveu neste ano que sua "incrível equipe de primeira linha, com cientistas excepcionais" inclui "pelo menos um integrante com uma perspectiva cética". Esse membro do conselho, a quem Loeb chamou de "o advogado do diabo designado", é Shermer, que, muito apropriadamente, é o editor fundador da revista Skeptic. Ele disse que os documentos divulgados continham muitas "fotografias borradas, vídeos granulados e apenas relatos de coisas estranhas que as pessoas veem". Shermer disse que o conselho se reuniu com pessoas que afirmam não ter visto naves espaciais, mas que "conhecem pessoas que sabem onde estão esses objetos que o governo mantém em seu poder". Segundo ele, quando o conselho pergunta: "‘Certo, mas quem é essa pessoa?’", a resposta típica é: "Bem, não posso dizer". Ele e Loeb fizeram uma aposta de US$ 1.000 sobre a descoberta de alienígenas até 2030. "Eu disse que não serão encontrados; ele diz que serão", afirmou Shermer. "Espero que ele ganhe."

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