O ator Arnaud Denis, que ficou sofreu sequelas após a colocação de um implante de tela cirúrgica para correção de uma hérnia, morreu por eutanásia na Bélgica, nesta terça (22), aos 43 anos. Denis havia sido operado de uma hérnia inguinal direita em 17 de julho de 2023, ocasião em que recebeu uma prótese de polipropileno —o início de uma descida ao inferno, segundo ele. "A decisão de Arnaud Denis foi tomada em conjunto com três médicos de Namur [na Bélgica]. Seu corpo já não o sustentava", declarou à AFP seu advogado, Philippe Courtois, ressaltando que sua morte foi "consequência das dores intensas que ele sofria havia muitos meses". Em uma última mensagem no Facebook, Denis explicou que via a eutanásia como "uma libertação", após "três anos intermináveis" de sofrimentos "degradantes", e negou a qualquer pessoa o direito de julgá-lo, "a menos que viva seis meses no corpo de um paciente com encefalomielite miálgica em estado grave, para entender o que é o horror absoluto". "Para mim, chega de maus-tratos médicos", escreveu, denunciando a peregrinação em busca de atendimento, o "abandono" e a "negação médica" de que foi vítima. Piora após cirurgia e denúncia Courtois informou que "já contestou o arquivamento", no fim de agosto, da denúncia apresentada por Denis em 5 de janeiro por lesões corporais culposas. Em uma manifestação publicada na sexta-feira passada pelo grupo de mídia Ebra, o ator afirmou estar "revoltado e desiludido" com o arquivamento, motivado pela "caracterização insuficiente da infração": "Estão pisoteando o pouco que resta de mim". Courtois informou ter apresentado, em 18 de setembro, uma nova queixa, desta vez com constituição como parte civil, para obter "a abertura de uma investigação judicial". Após a cirurgia, o estado geral do ator se deteriorou, levando à retirada do implante nos Estados Unidos, em abril de 2024, já que nenhum especialista na França tinha condições de realizar o procedimento. Mas, apesar da retirada, os problemas se agravaram, obrigando-o a "abandonar a carreira de ator" e deixando-o "em estado de incapacidade grave", segundo Courtois. "Embora a cronologia e um raciocínio por eliminação permitam considerar possível uma relação entre seus sintomas e a implantação do dispositivo médico, a ausência de um nexo causal comprovado com base científica, como exige o direito penal, impede a apuração de uma infração penal, tanto em relação ao fabricante da prótese quanto aos médicos que prescreveram e implantaram o dispositivo", justificou o Ministério Público de Paris em carta a Denis, datada de 31 de agosto, na qual lhe comunicou o arquivamento da denúncia. Coletivo Vítimas Francesas de Próteses de Hérnia Mas, segundo Courtois, "é preciso abrir uma investigação: os fatos estão presentes, a cronologia é absolutamente reveladora e, sobretudo, há muitas vítimas". Em outros escândalos sanitários, como os do "Mediator ou da Depakine", a investigação permitiu "demonstrar o que realmente havia acontecido". O coletivo criado por Denis, Vítimas Francesas de Próteses de Hérnia, reúne nas redes sociais centenas de relatos de pessoas que compartilham sua angústia diante dos efeitos adversos associados aos implantes. "Apesar de seu sofrimento, Arnaud sempre esteve presente no grupo das vítimas e respondeu a cada um de nós quando estávamos mal", declarou à AFP Julie Canon, coordenadora da ação coletiva das vítimas de próteses para hérnia, que deverá assumir a liderança do grupo. Advogado do coletivo, Pierre Debuisson denunciou à AFP "um escândalo sanitário emergente, mas de proporções extraordinárias", com "dezenas de milhares de vítimas (...) que sofrem em toda a França e não são ouvidas nem pela classe médica nem pela ANSM (Agência Nacional de Segurança de Medicamentos e Produtos de Saúde)". Segundo ele, mais de 200 mil operações desse tipo são realizadas todos os anos na França. "Os estudos mais confiáveis revelam que pelo menos 5% a 10% dos pacientes seriam vítimas dessas próteses, com efeitos colaterais permanentes de moderados a gravíssimos", o que representaria ao menos 100 mil pessoas, enquanto outros estudos apontam uma proporção "entre 10% e 20%", ou seja, "entre 100 mil e 300 mil vítimas" potenciais. "Já foram apresentadas 216 notificações" à ANSM, e muitas outras serão registradas, afirmou Debuisson, que diz ter sido procurado "por pouco mais de 500 vítimas" dessas "telas de polipropileno usadas em próteses para hérnias inguinais e umbilicais". "A ideia é reunir o maior número possível de pessoas para apresentar as denúncias no momento certo", ressaltou. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar
Arnaud Denis, ator franc�s que criou coletivo de v�timas de pr�teses de h�rnia, morre por eutan�sia na B�lgica
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