Após a vitória do presidente Lula (PT) nas eleições, o dólar encerrou o pregão desta segunda-feira (26) com a maior alta diária desde janeiro de 1999, no início do regime de câmbio flutuante no país. Antes disso, o país utilizava um sistema de bandas cambiais, que mantinha a cotação do dólar dentro de limites estabelecidos pelo governo. A moeda americana terminou o dia em alta de 8,41%, a R$ 5,409. Um avanço tão intenso não era registrado desde 15 de janeiro de 1999, quando o dólar subiu 11% em uma única sessão. A Bolsa também teve forte queda e encerrou o pregão em recuo de 13,43%, a 177.539 pontos, segundo dados preliminares. Caso se confirme, será a maior desvalorização diária desde 16 de março de 2020, quando recuou 13,92%. Na ocasião, a queda foi provocada pelos impactos da pandemia de coronavírus sobre a economia global. Nesta segunda-feira, a volatilidade foi impulsionada pela vitória de Lula. Para investidores, a continuidade do petista no comando do Executivo amplia o temor de que não sejam adotadas medidas suficientes para ajustar as contas públicas. A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando os juros futuros. Taxas mais altas, por sua vez, podem encarecer o crédito para as empresas e reduzir as perspectivas de lucro, pressionando o mercado acionário. A percepção é reforçada por instituições financeiras. O JP Morgan rebaixou a recomendação do real e dos títulos públicos nacionais de "overweight" para "marketweight" (acima da média do mercado" para "em linha com a média do mercado") após a vitória de Lula. De acordo com Vinicius Moreira e sua equipe, o resultado, considerado inesperado, deve levar a uma "reavaliação significativa" dos ativos. Durante o pregão, a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020 para conter a volatilidade na Bolsa brasileira. O mecanismo interrompe temporariamente as negociações em momentos de fortes quedas. Durante a suspensão, ficam paralisadas as operações com ações, derivativos e títulos de renda fixa privada, dando ao mercado um intervalo para assimilar as oscilações. O movimento reverte a valorização dos ativos após o primeiro turno das eleições, quando prevalecia a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro e de um ajuste fiscal mais rigoroso sob seu governo. No pregão seguinte à primeira rodada da eleição, a Bolsa subiu 7,70%, aos 206.911 pontos, em recorde em termos nominais e reais. O dólar, por sua vez, caiu 4,11%, a R$ 5,001, na maior queda diária desde 2018, quando a moeda recuou 5,50% em uma única sessão. Com as fortes oscilações desta segunda-feira, o dólar voltou ao patamar de dezembro de 2025, apagando a desvalorização acumulada em relação ao real ao longo do ano. A Bolsa, por sua vez, recuou ao menor nível desde junho. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. "O descompasso de expectativas do mercado em relação ao resultado das urnas resultou em um movimento generalizado de liquidação na Bolsa, evidenciando a cautela dos investidores em relação às futuras diretrizes econômicas e fiscais do país", diz Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad. Para os analistas, contudo, a trajetória do dólar e da Bolsa no médio prazo dependerá das sinalizações sobre a política fiscal. "Pode haver um movimento muito forte no pós-eleição, mas sua consolidação vai depender das medidas do candidato eleito. A depender de como o vencedor conduzir a política fiscal, podemos ter uma reversão das expectativas iniciais", diz João Daronco, analista da Suno Research.
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