Ap�s depoimento, defesa de Vorcaro diz que conversas com 'A Turma' eram desabafos de indigna��o

Ap�s depoimento, defesa de Vorcaro diz que conversas com 'A Turma' eram desabafos de indigna��o

Brasília A defesa de Daniel Vorcaro, do Banco Master, relacionou falas encontradas no celular do ex-banqueiro investigadas pela Polícia Federal como possíveis ameaças a inimigos como "desabafos, oriundos de recortes maliciosos de mensagens privadas". A afirmação foi feita, por meio de nota, após o ex-banqueiro prestar depoimento de cerca de duas horas à Polícia Federal, nesta quarta-feira (30), de forma virtual. Vorcaro foi ouvido no inquérito sobre "A Turma", grupo que seria utilizado para intimidar pessoas consideradas adversárias do banco. "Foi irrefutavelmente esclarecido que o investigado jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja", diz o comunicado. Vorcaro durante depoimento por vídeo à Polícia Federal em 28 de agosto em uma sala na Papudinha; ao fundo, o advogado Thiago Machado - Reprodução - 28.ago.2026/Uol Ainda de acordo com os advogados de Vorcaro, as falas do ex-banqueiro no grupo "foram proferidas em momentos de indignação" e "jamais redundaram em consequências práticas ou em qualquer risco real a terceiros". A decisão de prender novamente Vorcaro, em março deste ano, do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), cita falas encontradas no celular de Vorcaro em tom de ameaça contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Nos diálogos, Vorcaro, referindo-se a Lauro, afirma que "tinha que colocar gente seguindo esse cara. Pra pegar tudo dele". Em seguida, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário e integrante do grupo, responde: "Vou fazer isto". Em outra troca de mensagens citada, Vorcaro diz "Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto". A PF relata que Sicário recebia R$ 1 milhão por mês pelo trabalho, que incluía acesso a informações sigilosas, coação e fabricação de dossiês. Mourão cometeu suicídio na cela da Superintendência da PF de Minas Gerais em 4 de março, logo após ser preso durante uma das fases da operação Compliance Zero, que investiga o banco. Luiz Phillipi Mourão em frente a viatura da Polícia Civil de Minas Gerais; apontado como operador do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e apelidado de Sicário, quando foi preso na operação Compliance Zero - Reprodução A defesa de Vorcaro afirmou que ele conhecia apenas Mourão da chamada "A Turma" e que teria um contrato formal e lícito com ele de prestação de serviços de inteligência e segurança digital. "Ficou comprovado que tais expressões jamais designaram grupos específicos ou estruturas organizadas, evidenciado que não há qualquer tipo de ilicitude ou prática criminosa que possa ser atribuída a Daniel Vorcaro", sustentou a defesa. A Polícia Federal também detectou que o grupo obteve informações de processos sigilosos por meio de consultas registradas nos logins funcionais de servidores do MPF (Ministério Público Federal). A defesa, porém, afirmou que o depoimento evidenciou, de forma contundente, que Vorcaro sempre buscou a adoção de medidas jurídicas e oficiais cabíveis em situações de contrariedade, "sem jamais solicitar acesso indevido a sistemas restritos ou qualquer tipo de providência ilegal". Os advogados também afirmaram que ficou demonstrada a inexistência de qualquer plano de fuga de Vorcaro. O dono do Master foi preso na noite de 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. A defesa alegou, porém, que "há provas cabais" de que ele havia feito prévia comunicação da viagem a diversas autoridades, "bem como reservas antecipadas de hotel e salas de reunião e registro de plano de voo". Por fim, a defesa declarou que "causa enorme perplexidade que mensagens protegidas por sigilo legal, entre Daniel Vorcaro e seus advogados, sejam ilegalmente devassadas, vazadas e utilizadas para narrativas fantasiosas". Também pediu que ele aguarde o desfecho das investigações em liberdade, "pois não haveria qualquer acusação formal ou denúncia em seu desfavor e que os motivos que ensejaram a prisão não mais persistem".

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