Esta é uma edição da newsletter Folha Carreiras. Quer recebê-la às segundas-feiras no seu email? Inscreva-se abaixo: Folha Carreiras Informações semanais sobre mercado de trabalho e dicas para universitários e recém-formados alavancarem sua vida profissional Você sabe vender o seu peixe? O mundo corporativo pode ser um pouco parecido com o dos pescadores: pouco adianta pescar bem, se você não souber contar vantagem. Saber se vender, no entanto, é diferente de ser arrogante. Hoje, falamos com duas mentoras em carreira para aprender como se autopromover no trabalho sem ser arrogante —tarefa difícil, vale notar. A tal da autopromoção. Afinal, o que é se autopromover? Juntando as explicações que recebi das especialistas, é encontrar uma forma oportuna de mostrar para a chefia o que você está fazendo —não deixar que as ações que você toma no cotidiano e que fazem diferença para os resultados passem batidas. Um exemplo: você automatizou um processo e esse movimento fez com que sua equipe ganhasse tempo na rotina para distribuir mais esforço em outras atividades. Isso precisa ser informado à liderança, pontuando como nasceu a sua ideia. Questão de tempo. O tal do "timing", isto é, o momento perfeito para se autopromover, é muito importante, segundo Jaqueline Garutti. A equação é mais ou menos essa, segundo a mentora: ↳ Resultado + "timing" + bom papo = impressão positiva do chefe Sem um desses elementos, a conta não fecha. Ela recomenda primeiro que você só exiba seu trabalho se houver algum resultado para apresentar. Isto é, não é sobre dizer que você fez a apresentação que seu chefe pediu —nesse caso, parafraseando sua mãe, "você não fez mais do que sua obrigação". No entanto, se você tiver descoberto uma nova plataforma que te ajuda a montar apresentações mais claras e tiver tirado um bom resultado disso, vale a pena chamar a atenção do seu líder para isso. "Chefe, você lembra da apresentação que eu fiz na segunda-feira? Usei um novo sistema que diminuiu o tempo que eu gastava para fazê-la e achei que o resultado ficou mais claro. O que você achou? O que acha de eu apresentar a ferramenta para o resto da equipe", é um exemplo de como usar a "manha" da autopromoção. O segundo elemento, o "timing", diz respeito ao momento em que você abordará seu líder direto para exibir seus resultados. Garutti afirma que não é bom esperar muito depois de obter o resultado positivo para trazer o assunto à tona —a pauta tem que estar "quente". A abordagem também deve acontecer em momentos oportunos, isto é: se seu chefe estiver estressado e atolado em demandas, não é um bom momento para chamá-lo e mostrar o que fez. Espere uma interrupção tranquila no dia de trabalho. Cafés, almoços e conversas informais no escritório são boas janelas. Por fim, sem bom papo, a coisa não flui. Apresente com clareza qual demanda foi atribuída a você, como você a resolveu e, principalmente, porque essa demanda é digna de atenção. Dê ênfase ao que você fez de diferente e qual foi o resultado positivo da sua iniciativa. Ajeite a postura... Segundo a palestrante e autora Thalita Zanin, uma parte importante de se autopromover é demonstrar que você se sente capaz de atender às demandas e melhorar resultados. "A percepção de valor não é uma coisa passiva. Para ser percebido como um bom funcionário de uma equipe, não basta fazer seu trabalho e esperar reconhecimento. É preciso demonstrar que você merece ser reconhecido", afirma. Na prática, isso significa comunicar seus resultados e iniciativas, se mostrar interessado no cotidiano do escritório, participar das reuniões, estar em contato com os colegas. Em resumo, se fazer presente. "E se eu for tímido?" Seu desafio será um pouco maior do que o dos extrovertidos. É possível, no entanto, se tornar mais hábil em comunicar seus resultados, mesmo se isso não for a coisa mais natural do mundo para você. Para Garutti, a autopromoção é como um músculo: é possível treiná-lo e ficar cada vez mais forte. Comece com doses homeopáticas. Faça os comentários sobre seus resultados por mensagem ou em diálogos curtos —vai perceber que é indolor. Assim, com o tempo, ficará cada vez melhor em mostrar o que faz e o movimento ficará natural. "Não será fácil, nem rápido, mas é totalmente possível [se adaptar a comunicar seus feitos]", explica. Zanin afirma que há como sobreviver em uma empresa somente fazendo o que é necessário, sem buscar grandes destaques. No entanto, é mais difícil ser notado e ser promovido —para ela, quem fala é mais lembrado do que quem fica quieto. Cuidado com o "gogó". Como tudo na vida, a autopromoção tem dois lados. É fácil soar arrogante, prepotente ou pedante ao exibir o que está fazendo. Quem não conhece aquele colega que mais fala do que faz? Para isso, Garutti reforça a importância de atrelar a promoção a resultados: só exiba o que você fez e o que deu frutos. Não fale antes de obter resultados concretos. Para Zanin, é importante que você seja capaz de sustentar tudo aquilo que exibe: saiba explicar o que fez, como fez, para que fez e o que saiu desse processo. "Não adianta vender gato por lebre. Venda aquilo que consegue fazer. Prometer mais do que você dá conta também pega mal", afirma. Conhece-te a ti mesmo. Para não vender mais do que é capaz de entregar é necessário conhecer seus limites e suas habilidades. Thalita Zanin defende que o autoconhecimento é a ferramenta mais importante para saber como se projetar para a liderança e o restante da empresa. A mentora ressalta que as competências em que você coloca foco são justamente as que serão mais lembradas pelos outros. Por isso, vale ser estratégico na hora de escolher o que você gostaria de destacar sobre si mesmo. ↳ Se eu almejo um cargo como desenvolvedor de tecnologia, criatividade e solução rápida de problemas são habilidades valorizadas, por exemplo. Para um auditor, ser detalhista é uma qualidade. ↳ Pense no que você deseja ser e quais habilidades combinam com o posto que você deseja. Então, use a autopromoção para colocar um holofote nessas características. De olho no mercado Veja o que está acontecendo no mundo corporativo A Michael Page, empresa especializada em recrutamentos, contratações e procura por executivos, divulgou seu guia salarial anual, dividido por categorias. A companhia ouviu 5.762 profissionais e 1.955 empresas. 73% dos profissionais dizem que o salário está entre as cinco prioridades ao avaliar uma proposta; A remuneração é o terceiro motivo para deixar a empresa, atrás da falta de perspectiva de crescimento (69%) e da liderança desmotivadora (60%). 62% dizem que a relação com a liderança pesa muito na decisão de procurar outro emprego. Sobre salários, 30% das empresas pretendem dar aumento além do dissídio (eram 20% um ano antes e 38% em 2025), e 45% não pretendem. Entre os profissionais, 43% tiveram aumento em 12 meses, 54% deles por mérito. Sobre IA, 92% das empresas dizem obter algum ganho com a tecnologia, e 15% a consideram requisito importante para contratar. Para consultar o guia salarial e ver se você está ganhando em linha com o mercado —ou qual cargo você deveria ter para ganhar o que quer— acesse este link. Anota aí Dicas que podem te ajudar a conquistar as vagas que você quer Programa internacional do Santander O Santander, por meio da Santander Open Academy, abriu inscrições para um programa de treinamento em inovação e IA (inteligência artificial) de duas semanas em Madri, capital da Espanha e sede da instituição financeira. O banco custeará a acomodação, os voos e o curso para 90 estudantes universitários e graduados em qualquer área do conhecimento. Serão escolhidos jovens de 21 a 35 anos de 12 países. A viagem acontece de 12 a 23 de julho de 2027. As inscrições ficam abertas até 3 de dezembro por meio deste link. Programa de capacitação da IBM e do Instituto Energisa A IBM SkillsBuild, braço de educação digital da empresa de tecnologia, e o Instituto Energisa oferecem, neste mês, cursos gratuito sobre cibersegurança e capacitação em tecnologias como computação em nuvem e inteligência artificial. As aulas são ministradas integralmente online e oferecem certificado. As aulas começam no dia 26 de outubro. O público-alvo é amplo: o objetivo é atender pessoas em busca de qualificação profissional, estudantes, empreendedores, autônomos e profissionais interessados em capacitação digital. As inscrições estão abertas neste link. Vagas na Iguá Rio A Iguá Rio, concessionária responsável pelos serviços de saneamento de regiões no Rio de Janeiro, abriu processo seletivo para 18 vagas, distribuídas entre a capital fluminense e municípios do interior. Os postos contemplam áreas administrativas, técnicas, operacionais e de engenharia. As inscrições são realizadas por meio da plataforma Gupy.
Aprenda a vender seu peixe no trabalho sem parecer que est� se gabando
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