A vitória acachapante do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato da terça-feira (3) está representada no voto de todos os segmentos do eleitorado americano quando os dados são olhados isoladamente. Em todos os subgrupos de gênero, raça, faixa etária e educação os democratas ganharam mais votos do que em 2024. As projeções tabeladas pelo jornal The New York Times revelam ainda que os candidatos democratas foram os que mais receberam votos em praticamente todos esses segmentos, com exceção de um: o de pessoas brancas, entre as quais os republicanos angariaram 51% dos votos. Ainda assim, entre elas houve aumento de 13 pontos percentuais no apoio dado aos democratas em comparação com a eleição de dois anos atrás, quando Donald Trump foi referendado para voltar para a Casa Branca. Os dados consideram a votação para a Câmara dos Deputados, que renovou todas as suas cadeiras para a próxima legislatura. Se considerados todos os segmentos do eleitorado, os democratas ganharam 15 pontos percentuais de apoio, ficando com o voto de 56% para a Câmara. A vantagem entre alguns dos segmentos analisados foi bem maior. Por exemplo, o dos eleitores de origem latina. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Nesse grupo, o apoio aos democratas cresceu 28 pontos percentuais e chegou a 69% dos votos. Foi a maior alta entre todos os grupos raciais. Nesse sentido, são os negros aqueles que mais votam pelos democratas (91%), e entre eles também houve um aumento de 9 pontos no apoio dado ao partido que realizou o chamado "tsunami azul" nos EUA. Outro grupo expressivo foi o dos eleitores americanos mais jovens. Entre aqueles de 18 a 29 anos, o apoio aos democratas cresceu 32 pontos e ficou em 70% nestas midterms. Entre os de 30 a 44 anos, o crescimento foi de 24 pontos, chegando a 62%. Quando o tópico é idade, o aumento mais tímido no apoio aos democratas vem dos maiores de 65 anos, para os quais o crescimento foi só de 6 pontos. Quando o recorte é educação, o conjunto de votos para os democratas é maior à medida que o grau de educação é superior. O movimento é contrário quando se olha para quais grupos elevaram o apoio aos democratas em relação a dois anos atrás. Aqueles só com ensino médio, segmento no qual 50% votam em democratas, apresentaram aumento de 18 pontos no apoio ao partido. É o maior aumento no segmento de educação. Nesse mesmo sentido, um grupo historicamente importante para Trump, o dos eleitores brancos sem ensino superior, também diminuiu seu apoio ao presidente. Quando raça e educação são olhadas de forma interseccionalizada, observa-se que o único grupo que vota mais pelos republicanos é o dos brancos sem ensino superior (59%). Até entre eles, porém, aumentou o apoio aos democratas, em 14 pontos. O presidente, que está na metade de seu segundo governo, pode se tornar um "pato manco" ao ter sua governabilidade desafiada por meio de uma mensagem quase que uníssona da população americana. E ainda que os fatores que levem o eleitor à urna sejam plurais e variem de segmento para segmento, há um que é equânime. Todas as pesquisas de intenção de voto que antecederam as midterms mostravam que a maioria do eleitorado estava preocupada com a economia, o custo de vida. Trump assumiu com a promessa de reverter as dificuldades econômicas herdadas do governo de Joe Biden, um democrata, e, em boa medida, da pandemia de coronavírus, que desregulou a economia global. No cargo, fez realizações um tanto mais tímidas. E causou problemas que não tinham sido validados pelo eleitor. A inflação nos EUA voltou a registrar aceleração recente, impulsionada pelos custos de energia e combustíveis. O índice chegou a 3,7% em setembro, frente a 3,4% de agosto, superando as expectativas do mercado. A alta impacta no bolso das famílias, e o fato de ser influenciada pela guerra no Irã, um conflito que Trump começou e repetidamente insiste em manter, não ajudou. Há estados também, como o do Kansas, nos quais os impactos das tarifas impostas pelo presidente a praticamente todos os seus parceiros comerciais têm peso considerável nas exportações. O eleitor enviou um recado, em alto e bom tom. A economia foi tema da campanha de praticamente todos os republicanos e democratas que concorreram ao Senado e à Câmara. Era, afinal, um tema inescapável. A diferença estava no argumento. Democratas culpavam diretamente as políticas econômicas de Trump, como as guerras e as tarifas. Dos mais progressistas aos mais moderados, propunham outros atenuantes para o trabalhador, como aumentar o salário mínimo e ampliar a oferta de saúde gratuita. Os republicanos, por disciplina partidária ou por crença real, não o fizeram. Até que chegou o pós-eleição, e tanto Trump quanto seu vice, J. D. Vance, ainda que em diferentes linhas, assumiram que a guerra no Irã ajudou a derrubar o apoio republicano.
Apoio a democratas cresce em todos os segmentos do eleitorado americano
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