Aos 70, Mercedes refor�a portf�lio de caminh�es para constru��o, agroneg�cio e ecommerce

Aos 70, Mercedes refor�a portf�lio de caminh�es para constru��o, agroneg�cio e ecommerce

São Paulo No ano em que completa 70 anos de produção no Brasil, a Mercedes-Benz renova sua oferta de caminhões de olho nas oportunidades de negócios proporcionadas pela Fenatran, a maior feira do setor na América Latina. Os modelos que serão exibidos em novembro no evento paulistano são definidos como vocacionais, desenvolvidos para realizarem tarefas específicas. A expectativa da montadora é que o mercado brasileiro de caminhões mantenha no próximo ano um comportamento semelhante ao de 2026, com cerca de 110 mil unidades licenciadas. Mercedes-Benz apresenta modelos que serão exibidos na Fenatran 2026 - Divulgação Na Fenatran, a empresa apresentará novidades nas famílias Accelo, Atego, Axor, Actros e Arocs. Entre os destaques estão configurações voltadas a atividades que exigem características específicas em termos de robustez, capacidade de carga e facilidade de operação. Para a construção civil, o Atego 3433 6x4 ganha entre-eixos mais curto, de 3,6 metros, e preparação para receber implementos como caçambas basculantes e betoneiras. A configuração busca facilitar as manobras em canteiros de obras e vias estreitas. A montadora também apresentará uma versão do Atego 3433 6x4 com entre-eixos longo para operações de apoio à mineração. O modelo pode receber tanque de até 20 mil litros com sistema de aspersão para controlar a poeira em estradas de terra. Já o pesado Arocs 5851 8x4 terá um novo pacote de equipamentos para mineração, incluindo filtro de ar reforçado e possibilidade de instalação do assistente ativo de frenagem chamado ABA5. No agronegócio, o Atego 3033 8x2 recebe eixo traseiro reforçado e bloqueio de diferencial para enfrentar operações que combinam estradas de terra e rodovias. A marca também amplia as possibilidades de configuração dos modelos Actros e Arocs com implementos para o transporte de grãos e cana-de-açúcar. Outra novidade que a Mercedes-Benz vai apresentar no evento é a introdução de uma central multimídia de 10,1 polegadas em toda a gama de caminhões. O equipamento é compatível com Android e Apple e oferece navegação offline, com rotas que consideram restrições de altura, peso e largura. Caminhão Mercedes L-312 na fábrica da empresa em São Bernardo do Campo (ABC); modelo foi produzido a partir de 1956 - Divulgação Em um mercado com a presença crescente de fabricantes chineses, que utilizam tecnologia e equipamentos como parte de sua estratégia comercial, a novidade também pode ajudar a Mercedes a preservar sua competitividade. "É um movimento que já estava previsto pela empresa, mas também é uma forma de elevar o nosso nível de competitividade em um cenário de chegada de novos players", disse Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing da montadora de origem alemã. Além dos equipamentos embarcados, a fabricante aposta na conectividade e nos serviços digitais para diferenciar sua oferta. Na Fenatran, apresentará o My Truck Point, portal que reúne informações sobre contratos, serviços e frotas, além de ferramentas como o FleetBoard e o Mercedes-Benz Trucks Uptime. "O My Truck Point oferece uma experiência mais prática, rápida e eficiente no atendimento a falhas inesperadas. Com o reporte online de ocorrências, o tempo de reparo do caminhão diminui bastante", afirma Ferrarez. A urgência na correção de problemas é uma exigência do comércio eletrônico, para o qual a montadora desenvolve modelos médios e leves voltados às entregas urbanas. "O ecommerce está trazendo não apenas oportunidades, mas aprendizado para todos nós, principalmente na parte de serviços", afirmou Ferrarez. Segundo o executivo, esse tipo de cliente exige níveis de disponibilidade dos veículos superiores aos tradicionalmente praticados pelo setor. Esse é um indicador que mede o tempo em que o veículo está pronto para uso, sem quebras. Enquanto as montadoras estavam acostumadas a trabalhar com índices de 96% a 97%, operadores de comércio eletrônico já solicitam disponibilidade dos caminhões próxima de 98%. Ou seja, os veículos dedicados para atender esses frotistas praticamente não podem parar de rodar. A exigência amplia a importância da agilidade nos serviços de manutenção, da oferta de peças e da conectividade. Para as transportadoras, caminhões parados representam perda de produtividade e podem comprometer a operação de distribuição de mercadorias e serviços. Para as fabricantes, o desafio passa a envolver não apenas a venda do veículo, mas também a capacidade de mantê-lo rodando.

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