Amea�as dos EUA � economia do Ir� v�o al�m do petr�leo; entenda

Amea�as dos EUA � economia do Ir� v�o al�m do petr�leo; entenda

Frustrados no campo militar pela guerra contra o Irã, os EUA anunciaram um "Dia D Econômico" para a última segunda-feira (23), ameaçando punir qualquer país ou entidade que faça negócios com Teerã em setores estratégicos. Porém não houve anúncios de sanções, apenas ameaças. O departamento do Tesouro dos EUA prometeu atingir, entre outros, os setores de ouro, ativos digitais e aviação do Irã, com o objetivo de sufocar as poucas opções que restam ao país para o comércio internacional. O Irã usa esses setores "para sustentar sua economia em colapso" e "dar continuidade à sua campanha de desestabilização e terrorismo na região e em todo o mundo", afirmou o departamento. Autoridades iranianas desdenharam do anúncio do governo Trump, classificando-o como bravata. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou em uma publicação nas redes sociais na segunda-feira que os parceiros comerciais do Irã não estavam levando as novas ameaças a sério. O anúncio do Tesouro deixou muitas questões em aberto, entre elas até onde os Estados Unidos estariam dispostos a ir para punir grandes parceiros comerciais do Irã, como a China. Além disso, o Irã há muito encontra maneiras de contornar medidas desse tipo, inclusive por meio do comércio com a Rússia e países vizinhos da região. Embora a declaração tenha servido de alerta a determinados setores, ela não incluiu imediatamente todos os indivíduos e empresas envolvidos em uma lista de sanções, dando tempo para negociações. A ameaça de uma abordagem econômica mais agressiva por meio de novas sanções dos EUA, no entanto, veio menos de uma semana depois de os Emirados Árabes Unidos, um dos principais parceiros comerciais do Irã, anunciarem planos de suspender todas as transações comerciais e financeiras com o país. Mahdi Ghodsi, economista do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais de Viena, afirmou que as novas sanções generalizadas propostas pelo governo Donald Trump tendem a atingir com mais força os iranianos comuns. De acordo com Ghodsi, assim como na guerra, "os civis são as vítimas" dos conflitos econômicos. Veja a seguir os setores que os Estados Unidos ameaçaram submeter a novas sanções. OURO Os Estados Unidos aplicam sanções contra o Irã há décadas. E, antes de os primeiros mísseis norte-americanos e israelenses atingirem o país em 28 de fevereiro, o sofrimento econômico já era profundo e generalizado. Alguns iranianos recorreram ao ouro para proteger suas economias da crise cambial e da disparada da inflação. O metal precioso é considerado um ativo mais seguro do que a moeda iraniana, o rial, que atingiu mínimas históricas na segunda-feira após as novas ameaças de sanções dos EUA. O banco central do país também vem aumentando suas reservas de ouro há anos. Ao longo de quatro meses em 2025, o Irã importou mais de US$ 1 bilhão em ouro, principalmente da Turquia, dos Emirados Árabes Unidos e da China, segundo um importante jornal econômico iraniano. Mas o acúmulo de ouro pode desacelerar ainda mais a economia, avaliou Ghodsi, uma vez que mais pessoas podem manter ativos destinados a preservar a riqueza no longo prazo, em vez de usar dinheiro em transações que mantêm a economia em movimento. ATIVOS DIGITAIS O setor de criptomoedas do Irã vale quase US$ 7,8 bilhões (R$ 40,14 bilhões), segundo estimativas de 2025 da Chainalysis, empresa de análise de blockchain. A mesma organização calculou que o volume de recursos recebidos por contas ligadas à Guarda Revolucionária do Irã aumentou de mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,29 bilhões no câmbio atual) em 2024 para mais de US$ 3 bilhões (R$ 15,44 bilhões) em 2025, com base em dados de órgãos governamentais dos Estados Unidos e de Israel. Assim como o ouro, dizem analistas, os ativos financeiros alternativos se tornaram uma forma importante de os civis iranianos tentarem proteger seu patrimônio. Os norte-americanos também acusaram Teerã de usar a tecnologia para facilitar fluxos ilícitos de dinheiro."O regime iraniano recorre cada vez mais às criptomoedas como instrumento preferencial para contornar sanções, sustentando transações ligadas (à Guarda Revolucionária do Irã)" , afirmou o departamento do Tesouro em seu comunicado de segunda-feira. Os Estados Unidos já haviam atingido empresas iranianas de criptomoedas. Em junho, o departamento do Tesouro impôs sanções à Nobitex, a maior corretora de criptomoedas do país, acusando-a de ajudar o governo a contornar sanções, financiar atividades de grupos armados e transferir patrimônio para o exterior. Uma das pessoas citadas especificamente no anúncio de segunda-feira foi Ivan Obukhov, cidadão ucraniano radicado nos Emirados Árabes Unidos, que, segundo o Tesouro dos EUA, "atuou durante anos como intermediário para embarcações da frota fantasma iraniana" e "viabilizou remessas de petróleo iraniano para as Forças Armadas do Irã e seus representantes". Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Ele é acusado de processar, desde 2023, mais de US$ 100 milhões em pagamentos com criptomoedas para viabilizar vendas de petróleo em benefício da Guarda Revolucionária. Ghodsi afirmou que a eficácia das sanções propostas dependerá da capacidade dos Estados Unidos de identificar e isolar os "nós" da rede iraniana de corretoras de criptomoedas. AVIAÇÃO Os voos de passageiros são vitais para os iranianos que desejam visitar familiares fora do país. Novas sanções podem expor outros países a represálias dos EUA caso permitam que aviões comerciais iranianos —alguns deles ligados à Guarda Revolucionária— pousem em seus aeroportos. O departamento do Tesouro afirma que o Irã usa suas companhias aéreas para "transportar combatentes, enviar armas e tecnologias sensíveis e levar ouro e dinheiro em espécie a seus representantes", em referência aos grupos armados apoiados pelo Irã na região, como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Faixa de Gaza. Embora as sanções contra o setor de aviação iraniano tenham como alvo companhias aéreas do país, o transporte aéreo mundial continua sofrendo os efeitos do conflito. Os combates fizeram com que voos fossem desviados no início da guerra. E o impacto sobre os preços dos combustíveis pode continuar elevando o custo das passagens aéreas.TRANSPORTE MARÍTIMO Os Estados Unidos, que aplicam sanções contra o Irã há décadas, impuseram um bloqueio de vários meses às exportações de petróleo do país, o motor de sua economia. Mas, embora as exportações iranianas de petróleo tenham ocupado o centro das atenções durante a guerra, o país também depende da importação de máquinas, produtos eletrônicos e outros bens. Sua ampla economia doméstica é autossuficiente em vários setores, destacou Ghodsi, mas o Irã ainda enfrenta escassez de materiais como o aço, especialmente depois que ataques dos EUA durante o conflito danificaram ou destruíram infraestruturas essenciais."A companhia nacional de navegação do Irã transporta regularmente componentes sensíveis de armamentos e precursores de mísseis, enquanto o serviço nacional de navios-tanque do país transporta petróleo ilicitamente para o regime e suas forças militares", afirmou o departamento do Tesouro em seu comunicado. Em julho, o departamento impôs sanções a uma série de indivíduos e empresas sediados fora do Irã, acusando-os de ajudar a "frota fantasma" do país a contornar sanções. TECNOLOGIA O governo Trump não especificou quais países, entidades ou produtos seriam alvo no setor de tecnologia, mas o Tesouro afirmou que o Irã havia importado tecnologias avançadas para uso em seus programas de armamentos. Uma análise de 2025 da Kharon, empresa de análise de comércio, constatou que uma iniciativa conduzida pelo regime iraniano havia criado uma rede de empresas no exterior que facilitava o comércio das chamadas tecnologias de uso duplo, militar e civil, apesar das sanções dos EUA.

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