O presidente da mais alta corte de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, fugiu do país nesta quinta-feira (5) após a emissão de um mandado de prisão por tráfico de drogas contra si. O Ministério Público disse que vai acionar a Interpol para que haja uma busca internacional pelo juiz. Desde outubro, vários altos funcionários do sistema judiciário foram detidos por supostos vínculos com o tráfico de drogas. Entre eles está o ex-procurador-geral Roger Mariaca, preso dias depois de os Estados Unidos cancelarem seu visto e o de vários funcionários e empresários da Bolívia, Colômbia, Peru e Equador. Em comunicado, Saucedo disse sofrer perseguição do governo do presidente Rodrigo Paz, de centro-direita. "Deixei o país, estou com toda a minha família no exílio", anunciou Saucedo pela manhã, na rede social X. Presidente do Tribunal Supremo de Justiça, a mais alta instância da Justiça comum —na Bolívia, existe ainda o Tribunal Constitucional Plurinacional, que analisa questões relativas à Carta do país. Saucedo também denunciou "tentativas de perseguição e intimidação" por parte do governo: "Sei que vão forjar provas para me desacreditar". À tarde, o procurador-geral interino, José Armando Urioste, nomeado pelo Congresso após a prisão de Mariaca, disse à imprensa que o órgão havia emitido, no dia anterior, uma ordem de prisão por "tráfico de substâncias controladas e associação criminosa". Embora não tenha detalhado a participação de Saucedo nesses crimes, Urioste afirmou que as investigações "seguirão seu curso" e, por enquanto, tramitam sob sigilo porque contam com a colaboração de "testemunhas protegidas". As autoridades desconhecem o paradeiro do juiz, de 38 anos. Seu histórico migratório mostra que ele entrou na Bolívia na terça (3), mas depois não houve registro de sua saída, segundo Urioste. O Ministério Público suspeita que ele tenha viajado por terra para deixar o país. O procurador interino acrescentou que seu gabinete solicitará à Interpol a emissão de um alerta vermelho para sua busca internacional. "Temos de acionar esses alertas internacionais para evitar que ele saia ou entre na Bolívia", afirmou. Saucedo "deixa o país porque há uma série de acusações ou investigações sobre nosso modelo de sistema judiciário", disse Paz na quarta (4) durante um encontro empresarial na Espanha, antes da Cúpula Ibero-Americana. O vice-ministro do Interior, Peter Maldonado, afirmou que a fuga de Saucedo está relacionada ao caso de Mariaca. "Muitos dos cúmplices de Mariaca e da criminalidade estão fugindo", disse à imprensa local. O ex-procurador Mariaca é acusado pelo governo dos EUA de receber subornos "para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça". Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo Na tarde de quarta-feira, os juízes do Tribunal Supremo da Bolívia nomearam a decana da corte, Rosmery Ruiz, presidente interina diante da "ausência temporária" de Saucedo, segundo informou a própria magistrada. Se Saucedo não se apresentar ao tribunal nos próximos seis dias, poderá perder o cargo. Na Bolívia, as mais altas autoridades do Judiciário são eleitas por voto popular. Saucedo venceu em Santa Cruz com mais de 700 mil votos em uma eleição realizada no fim de 2024. Um mês depois, foi escolhido por seus pares para presidir o tribunal. O governo de Paz, prestes a completar seu primeiro ano no poder, busca uma maior aproximação com Washington. Em março, aderiu ao Escudo das Américas, uma aliança regional liderada pelo governo de Donald Trump para combater o crime organizado transnacional.
Alvo de mandado de pris�o por tr�fico de drogas, presidente do Supremo da Bol�via foge do pa�s
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