Alta dos pre�os de energia pressiona mercados de t�tulos, com g�s europeu no maior n�vel em tr�s anos

Alta dos pre�os de energia pressiona mercados de t�tulos, com g�s europeu no maior n�vel em tr�s anos

Os preços do gás natural na Europa atingiram nesta quarta-feira (2) o maior nível desde 2023, enquanto o petróleo chegou à máxima em cinco semanas, mantendo os mercados de títulos sob pressão. A retomada das hostilidades entre os EUA e o Irã aumentou os temores de um período prolongado de inflação global. O preço do gás natural negociado no hub europeu TTF, (Instalação de Transferência de Título) na Holanda, superou 75 euros (R$ 444,31) por MWh (Megawatt-hora) pela primeira vez desde o início da guerra, em fevereiro, alcançando o maior nível desde o começo de 2023. As empresas de energia estão cada vez mais preocupadas com a chegada do inverno, diante dos baixos níveis de armazenamento para enfrentar períodos de temperaturas mais baixas. O preço recuou posteriormente para cerca de 73,30 euros (R$ 434) por MWh, ainda em alta de 1,5% no dia.O Brent, referência internacional do petróleo, chegou a subir 2,5%, para pouco mais de US$ 97 (R$ 497,82) por barril, antes de reduzir os ganhos e passar a ser negociado em queda de 0,4%, a US$ 94,30 (R$ 486), em Londres. A alta dos preços continuou a abalar os mercados globais de títulos, levando o custo de financiamento dos EUA em dez anos ao maior nível em três anos, diante da preocupação de que os bancos centrais precisem elevar as taxas de juros para responder à inflação decorrente da alta da energia. Os movimentos ocorreram após uma nova onda de ataques dos EUA contra o Irã na terça-feira (1), a segunda em poucos dias, aprofundando os temores dos investidores de uma nova escalada entre os dois países depois de um mês de relativa calmaria em agosto. "A percepção de que tudo isso estará encerrado até o Natal está desaparecendo rapidamente", disse Mike Bell, chefe de estratégia de mercado da RBC BlueBay Asset Management. "Isso está movimentando o mercado." Washington e Teerã disputam o controle do estreito de Hormuz, uma importante rota para o abastecimento mundial de petróleo.Os preços do gás europeu vêm subindo de forma constante desde que atingiram uma mínima inferior a 40 euros (R$ 239) por MWh no fim de junho. No mesmo período, o Brent avançou de uma mínima de US$ 70 (R$ 359) por barril registrada no início de julho, durante a guerra. O rendimento do título do Tesouro americano de dez anos chegou a 4,82% na manhã desta quarta-feira (2), o maior nível desde 2023, antes de recuar e passar a operar estável no dia. Os rendimentos dos títulos sobem quando seus preços caem. O rendimento do Bund alemão de dez anos chegou a 3,4% no início das negociações desta quarta-feira (2), mantendo o custo de financiamento do país no maior nível desde 2011. Posteriormente, recuou para 3,37%, alta de 0,03 ponto percentual. No Reino Unido, o custo de financiamento atingiu o maior nível desde 2008 pelo segundo dia consecutivo. O rendimento do título britânico de dez anos subia 0,02 ponto percentual, para 5,24%, no início da tarde em Londres. As empresas de gás tradicionalmente armazenam estoques durante os meses de verão para reduzir os efeitos de eventuais interrupções no inverno. Neste ano, porém, os estoques estão no menor nível em mais de uma década.Em toda a UE (União Europeia), os estoques estavam preenchidos em apenas 63% na última semana de agosto. A UE estabeleceu a meta de elevar o armazenamento a 80% antes do inverno. Anna-Kaisa Itkonen, porta-voz da Comissão Europeia, afirmou que "consideramos possível encher os estoques conforme previsto pelas regulamentações". Ela acrescentou que os níveis de armazenamento serão discutidos em uma reunião de especialistas dos países-membros nesta quinta-feira (3). A Alemanha, que possui o maior volume de armazenamento de gás do continente, alertou na semana passada que corre o risco de não atingir a meta legal de 70% de ocupação até novembro. A Itália, por outro lado, segundo maior consumidor da UE, aumentou seus estoques e já atingiu 83% da capacidade. Autoridades afirmam não esperar uma crise de abastecimento durante o inverno, embora os países enfrentem custos maiores para comprar gás no mercado à vista durante os meses mais frios caso não consigam preencher suficientemente suas instalações de armazenamento. Com a alta dos preços, as empresas de energia têm relutado em comprar gás caro para armazená-lo, preferindo esperar uma solução para o conflito no Oriente Médio e uma queda nos preços."Há seis meses venho dizendo que precisamos ter mais cuidado com o armazenamento ou entraremos no inverno com preços altos", disse Anne-Sophie Corbeau, especialista em gás do Centro de Política Energética Global, da Universidade Columbia. "Eu teria muito cuidado para não ficarmos excessivamente complacentes, porque vimos repetidamente que, quando os problemas chegam, eles vêm todos juntos", acrescentou. A alta dos preços do gás também pressionou particularmente os mercados de títulos europeus. A inflação da zona do euro acelerou para 3,3% em agosto, segundo dados oficiais divulgados na terça-feira (1), com os preços da energia subindo 14,3%. Mohit Kumar, economista-chefe para a Europa da Jefferies, afirmou que a empresa de investimentos estava "reduzindo" sua exposição a ativos mais arriscados após a alta dos preços da energia.Kumar disse que os rendimentos dos títulos estavam "chegando a um nível em que uma nova onda de vendas no mercado de juros seria cada vez mais negativa tanto para as ações quanto para o crédito". Os contratos futuros que acompanham o S&P 500 apontavam para uma nova queda de 0,3% algumas horas antes da abertura do mercado nesta quarta-feira (2), ampliando uma baixa superior a 1% acumulada até agora nesta semana. Japão e Coreia do Sul, dois grandes importadores de petróleo, lideraram as quedas nas bolsas asiáticas. O Nikkei 225 recuou 3%, enquanto o Kospi caiu 3,8%.

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