São Paulo Um eventual aumento no preço do diesel em 2027 pode gerar um pedido de reequilíbrio do contrato por parte da Motiva para concessões da companhia, segundo o CFO da empresa, Rodrigo Araújo. "Estamos vivendo uma situação que pode ensejar uma discussão de força maior. E, havendo alguma discussão em relação a isso, podemos vir a fazer, como fizemos em 2022, na Guerra da Ucrânia, de buscar reequilíbrios associados a uma situação de força maior", disse durante conferência de resultados do terceiro trimestre. Trecho de 4 km da Serra das Araras da rodovia Presidente Dutra - Divulgação comunicação RioSP Os governos estaduais, por meio do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária), aprovaram na terça-feira (27) um aumento nas alíquotas de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre os combustíveis para 2027, que impactará o preço final de gasolina, diesel e gás de cozinha. A medida ocorre em meio à pressão exercida sobre os preços dos combustíveis provocada pela guerra no Irã. A alta será de R$ 0,13 (11,1%) por litro de diesel e passa a vigorar no primeiro dia de fevereiro de 2027. Araújo afirma que o diesel representa atualmente cerca de 15% do Capex (custos relacionados a investimentos) da empresa. O percentual está relacionado, sobretudo, ao uso de máquinas e equipamentos em campo e fica embutido no custo do prestador, diz. C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesA reforma tributária tem sido outra preocupação da empresa —principalmente depois que o TCU (Tribunal de Contas da União) divulgou o cálculo da alíquota da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) nesta quarta-feira (28). O valor de 11,3% ficou acima das projeções utilizadas pela maior parte das companhias, que estavam próximas de 9,5%. De acordo com Araújo, a CBS maior do que o esperado "gera um potencial impacto de aumento de carga tributária na economia, que pode ter efeitos sobre crescimento econômico, sobre dinâmica da economia". A preocupação é com o tempo de preparação dos fornecedores, segundo o executivo. "A gente ainda vê a cadeia de suprimentos com um nível de preparação muito baixa para o ponto do tempo que a gente está. Estamos a dois meses de uma virada de chave relevante", afirma. O executivo diz que um ponto que preocupa, olhando para a frente, é ver muitos fornecedores pouco preparados. Araújo afirma, no entanto, que a maior parte do portfólio da Motiva está protegido de eventuais mudanças macroeconômicas. "Um pouco mais de 80% do nosso portfólio está razoavelmente blindado em termos de banda de mitigação, fluxo de caixa marginal. O impacto de crescimento econômico, de flutuação de demanda, nos preocupa um pouco menos, porque a gente tem um mix de ativos ali que tem uma blindagem adequada com relação a isso", diz. A Motiva registrou um lucro líquido ajustado de R$ 750 milhões no terceiro trimestre deste ano, um aumento de 9,8% na comparação com o mesmo período de 2025. A empresa atribui o resultado ao bom tráfego em rodovias e ao desempenho positivo de concessões em Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Neste ano, a Motiva iniciou a cobrança de pedágio na Motiva Paraná, responsável pelos 569 km que conectam o norte do estado a Ponta Grossa e ao Porto de Paranaguá, na Motiva Sorocabana, trecho de 460 km que abrange 12 rodovias no interior de São Paulo, e na RioSP, concessionária que opera a Dutra e a Rio-Santos, no Rio e em São Paulo. RAIO-X | MOTIVA Fundação: 1999 Receita líquida: R$ 3,8 bi (3º tri) Número de ativos: 18 Estados em que está presente: 8 Carteira de rodovias: 5.044 quilômetros Passageiros de metrôs, trens e VLT: 750 milhões por ano Principais concorrentes: EcoRodovias, EPR e Arteris
Alta do diesel pode levar a pedido de reequil�brio em 2027, diz diretor da Motiva
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