Quando decidiu pelo financiamento estudantil, Maria Gabriela Vital, 24, colocou no papel quanto conseguiria pagar pela faculdade e como faria com o custo. Após tentar entrar em universidades públicas, bolsas de estudos e outras formas de acesso ao ensino superior, encontrou no financiamento uma maneira de cursar direito. Aprovada na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), Maria Gabriela diz que perdeu a vaga por problemas na comprovação da renda familiar. Após o problema, ela também ficou insegura em relação ao Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e pesquisou outras modalidades de financiamento."Eu escolhi o financiamento justamente porque era a única forma que eu tinha de fazer de fato a faculdade que eu tinha vontade", afirma Maria Gabriela, que escolheu o financiamento privado para cursar direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Na hora de decidir, Maria Gabriela conta que conversou com o pai e calculou quanto cada um conseguiria arcar. "Nós dividíamos metade e metade do valor já financiado para conseguir pagar o restante assim que eu me formasse." Segundo dados do MEC (Ministério da Educação), as duas edições do Fies em 2026 tiveram mais de 127 mil inscritos. Cerca de 57% se autodeclaram pretos e pardos, e as regiões Nordeste e Sudeste concentraram os maiores números, com 51.054 e 42.455 candidatos, respectivamente. Antes de assinar, faça as contas Para especialistas, o planejamento deve começar antes do contrato e ir além da mensalidade. Claudia Yoshinaga, professora de finanças da FGV EAESP, afirma que o estudante deve avaliar se curso e instituição justificam o investimento. "A educação traz retorno, mas ainda assim existem instituições e instituições. Por isso, vale fazer uma análise de qualidade do curso, infraestrutura, mercado de trabalho, de estabilidade da instituição, para saber se você está se endividando, começando a vida e fazendo uma dívida para um curso em uma instituição que vale a pena", explica Yoshinaga. Rafael Piva, diretor de finanças e operações do Pravaler, plataforma de financiamento estudantil privado, explica que o estudante deve ter certeza do curso e da faculdade antes da contratação. "O financiamento estudantil é uma decisão, a princípio, do que ele quer fazer pelos próximos quatro, cinco ou seis anos." Segundo a plataforma, 67% dos alunos financiados são da geração Z, com 27 anos em média. Dos 10 cursos com mais novos financiamentos em 2025, 9 são da saúde. O curso de medicina lidera, seguido por direito, psicologia, enfermagem e medicina veterinária. Outro ponto que deve ser considerado na conta antes do financiamento é a remuneração inicial da carreira escolhida. "Tem que fazer uma projeção bastante conservadora do início. Tem que olhar se, no começo, quando você tiver que pagar, o valor da prestação cabe dentro dessa remuneração inicial da carreira", explica a professora. Também é preciso calcular o total pago. "Parte dos problemas que as pessoas têm ao se enrolar com esses financiamentos é olhar muito mais a taxa, o valor da prestação, e ignorar o valor total da dívida", diz a professora da FGV. Mesmo em uma modalidade com juros baixos, o estudante terá de devolver o valor principal financiado. Por isso, uma recomendação é conferir as condições de pagamento, o período de carência, reajustes, tarifas, seguros e outros encargos. Mensalidade não é o único gasto Além da mensalidade, o planejamento deve incluir transporte, alimentação, materiais e, às vezes, moradia. Piva afirma que o estudante deve simular o financiamento para saber quanto da renda será destinada às parcelas. "Às vezes os alunos olham muito o valor da mensalidade e falam: ‘Não, eu consigo dar um jeito e pagar’. Mas existe uma série de agregados de custos que acabam entrando na conta." Durante a faculdade, Maria Gabriela destinava a maioria da bolsa do estágio ao pagamento do curso. O restante cobria outros gastos, como lazer e livros. Como morava com os pais, ela tinha ajuda com moradia e alimentação. Planejamento continua depois da contratação Hoje, a profissional formada em direito e analista júnior de privacidade e cibersegurança identifica uma medida que teria realizado desde o começo: guardar dinheiro. "Eu teria pesquisado um pouco mais sobre formas de guardar dinheiro, porque antes eu ficava muito focada. Como não sobrava muito, eu pensava: ‘Poxa, não vou guardar esse pouquinho, vou aproveitar o pouco dinheiro que eu tenho’", conta Maria Gabriela. Yoshinaga recomenda aproveitar a graduação para formar uma reserva, especialmente quando existe um período de carência para o início dos pagamentos. "Quanto mais você já conseguir guardar e investir e ter uma parte desse financiamento pagando um pouco menos, porque você conseguiu investir e está tendo rendimento em cima disso, seria o melhor dos mundos", afirma Yoshinaga. Para Maria Gabriela, não existe uma resposta única sobre contratar ou não um financiamento. A decisão depende da renda, da estabilidade profissional e das alternativas disponíveis. "A maior dica é pesquisar todos os pormenores possíveis para que essas pessoas entendam o quanto o financiamento cabe ou não na realidade delas." O que avaliar antes de contratar um financiamento estudantil Pesquise o curso e a instituição Antes de pensar no financiamento, avalie a qualidade da graduação, a instituição, as chances de empregabilidade e a remuneração esperada no início da carreira Faça uma conta realista do que poderá pagar Considere a renda atual e futura e avalie se as parcelas caberão no orçamento. A projeção deve ser conservadora e levar em conta possíveis mudanças na situação financeira Olhe além do valor da parcela Verifique o custo total do financiamento, incluindo juros, prazo, reajustes, tarifas e outros encargos. Também é importante entender todas as regras do contrato Coloque todos os gastos no papel A conta não deve considerar apenas a mensalidade. Transporte, alimentação, livros, materiais e moradia, por exemplo, também fazem parte do custo de cursar uma faculdade. Compare alternativas e se prepare para imprevistos Pesquise bolsas e outras modalidades antes de contratar. Se possível, forme uma reserva durante a graduação e pense em como a dívida seria paga em situações como desemprego, redução de renda ou atraso na conclusão do curso.
Al�m do gasto, financiamento estudantil exige an�lise de qualidade do curso
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.