Aliados veem Janja com papel preservado nas decis�es de Lula em novo governo

Aliados veem Janja com papel preservado nas decis�es de Lula em novo governo

Um aspecto que não deve ser modificado neste quarto mandato presidencial de Lula (PT), segundo aliados do petista, é a influência exercida pela primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, sobre o governo e sobre as decisões do presidente, reeleito neste domingo (25). Janja é descrita por congressistas, ministros e auxiliares de Lula como a janela do petista para o mundo. Diante do apelo digital que o segundo turno da campanha teve sobre o presidente, que foi obrigado a aderir a vídeos selfies e à produção de conteúdo para as redes sociais, a primeira-dama será, muitas vezes, a responsável por auxiliá-lo na empreitada tecnológica. Petistas entendem que a primeira-dama, até por ser militante do partido desde a década de 1980, tem um perfil engajado e, por isso, dificilmente se contentaria em manter a discrição. Para eles, Janja continuará defendendo causas de seu interesse e levando ao presidente temas que entram no radar da opinião pública. Um exemplo é a atenção que o governo deu aos altos índices de feminicídio do país. O próprio Lula credita à primeira-dama as informações que o levaram a se engajar no combate à violência contra a mulher. A ela também foram atribuídas as indicações de Anielle Franco e Margareth Menezes para os ministérios da Igualdade Racial e da Cultura, respectivamente, e a de Márcio Tavares para a secretaria-executiva da Cultura –ele assumiu a coordenadoria da área na campanha de Lula nestas eleições. Auxiliares do presidente também alegaram que a insistência de Janja deu sobrevida a Ana Moser no Ministério do Esporte em 2023, mesmo quando já era certo que haveria uma troca na pasta para acomodar o deputado federal André Fufuca (PP-MA). Outra interferência direta creditada à primeira-dama foi o veto à indicação do deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) como ministro do Turismo, ao final de 2022. Embora aliados de esferas distintas reclamem da atuação da primeira-dama nos bastidores, um petista histórico disse à reportagem que não há nenhuma sinalização por parte de Lula de reduzir o papel dela em um novo governo. O histórico da atuação de Janja no governo inclui momentos de protagonismo alternados com situações de retração, geralmente precedidas por críticas públicas. Durante o primeiro turno desta eleição, a primeira-dama discursou em todos os comícios de Lula, chegando a repreendê-lo publicamente em um deles, teve papel central na organização da agenda de campanha, fez a triagem de quem poderia acompanhá-lo no palanque e, microfone em mãos, cantou um hino gospel em várias agendas, a exemplo do que fez em 2022 com o jingle "Sem Medo de Ser Feliz". O resultado visto nas urnas no primeiro turno, mostrando Flávio Bolsonaro (PL) com 47% e Lula com 45% dos votos válidos, levou muitos integrantes da campanha a reclamarem abertamente da atuação de Janja, que havia sido destacada para auxiliar na interlocução com mulheres, em especial as evangélicas. Dois dias após a votação, a ex-senadora Kátia Abreu, recém-filiada ao PT, foi aplaudida em uma reunião ao defender "menos Janja e mais Alckmin" na reta final da campanha. Em outro episódio lembrado por aliados do presidente, um comentário feito por Janja sobre os efeitos nocivos do TikTok em jantar oferecido pelo líder chinês Xi Jinping, em maio de 2025, repercutiu negativamente no país e no exterior. Na ocasião, Lula criticou o vazamento da conversa, mas Janja apresentou um comportamento mais contido por algumas semanas, segundo uma assessora, até que a poeira abaixasse. Um membro do diretório nacional disse, sob reserva, que é esperado que Lula saia em defesa da primeira-dama e que ouça as ponderações dela, já que, ao fim do dia, ela será sempre a última a conversar com o presidente. Por isso, há entre os funcionários do Palácio do Planalto a expectativa de manter indicações feitas pela primeira-dama em postos estratégicos ou mesmo abrir espaço para novos nomes. Em outubro de 2025, o governo federal publicou um decreto que colocou os serviços do Gabinete Pessoal da Presidência da República oficialmente à disposição da primeira-dama. Cabe ao gabinete ajudar na organização da agenda e do cerimonial, cuidar de correspondências, formular pronunciamentos, e cuidar dos palácios e residências utilizados pelo chefe do Executivo.

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