Aliados de Fl�vio Bolsonaro veem Lottenberg na Sa�de como escudo na campanha contra negacionismo de Jair

Aliados de Fl�vio Bolsonaro veem Lottenberg na Sa�de como escudo na campanha contra negacionismo de Jair

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) veem o anúncio de que o médico Claudio Lottenberg será ministro da Saúde, caso o senador vença a disputa à Presidência, como estratégia para blindar a campanha contra críticas à conduta de Jair Bolsonaro (PL) durante a pandemia. A escolha reduz a margem para especulações de que Flávio escolheria nome com pecha de negacionista, na leitura de conselheiros da campanha para os assuntos ligados à Saúde. O mesmo entorno do senador, porém, admite que a atuação de Lottenberg pode ser apenas temporária e voltada à campanha eleitoral e não descarta a indicação de outro nome se o candidato do PL sair vitorioso. Indicado de Flávio para a Saúde trata atuação de Jair Bolsonaro na pandemia como 'capítulo superado' A análise de que Lottenberg serve de escudo da campanha, mas pode não assumir o cargo, é compartilhada tanto por bolsonaristas como por nomes ligados a partidos do centrão que cercam Flávio, segundo relatos feitos à reportagem por seis ex-integrantes da cúpula da gestão Jair Bolsonaro na Saúde. A leitura é de que o trunfo para a campanha pode se tornar um obstáculo dentro da base mais radical do bolsonarismo, se Flávio for eleito. Isso porque parte dos apoiadores do ex-presidente reclama que o médico criticou a gestão federal na pandemia, quando considerou, por exemplo, "absurdo" expandir o uso da cloroquina a casos leves de Covid-19. Em janeiro de 2026, antes do anúncio de Flávio, o comentarista Paulo Figueiredo escreveu que Lottenberg "é um puxa-saco profissional que só subiu na vida fazendo exatamente isso". As críticas chegaram a transbordar nas redes sociais após o senador dizer que Lottenberg seria o ministro do eventual governo. Interlocutores do senador dizem que foi feito um pacto para estancar a crise interna e não atacar o médico publicamente até o resultado do segundo turno. Outro aliado do senador pondera que o médico deseja assumir o comando da pasta e que ainda é precipitado especular sobre a troca de indicações. Além dos integrantes da base conservadora do bolsonarismo, aliados de Flávio no centrão têm dúvidas de que Lottenberg conseguirá conduzir a pasta, que é alvo de forte cobiça do mundo político. Eles lembram do caso do médico Nelson Teich, que também tinha sólida atuação no setor privado, mas pediu demissão antes de completar um mês no cargo durante a pandemia. Como tem sido comum a cada discussão sobre mudança no comando do órgão, nomes como o do deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ) são especulados para eventual mudança de indicado. A pasta tem R$ 270 bilhões em Orçamento, sendo cerca de R$ 70 bilhões em verbas discricionárias, cifra que é usada em investimentos e nos repasses para custeio da máquina pública em todo o país. Ainda é o principal destino das emendas parlamentares: R$ 28 dos cerca de R$ 50 bilhões indicados em 2026 por deputados e senadores. Flávio anunciou que levaria Lottenberg ao comando da Saúde em 28 de agosto, durante sabatina do Jornal Nacional, da TV Globo. Até agora, é o único nome confirmado para o primeiro escalão do eventual governo. No dia seguinte, o candidato do PL escreveu nas redes que o médico garante o "padrão Einstein" no SUS. O entorno de Flávio ainda aponta como sinal de fragilidade da indicação o fato de que o médico nem sequer tem feito campanha nas redes sociais. Desde que foi anunciado como possível ministro, Lottenberg fez apenas uma publicação anunciando que se afastaria da presidência do conselho deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein e da Conib (Confederação Israelita do Brasil), mas não pediu voto de forma assertiva ao senador. Ele também se afastou da presidência do conselho da Biomm, a farmacêutica que está no centro da política do governo Lula (PT) que estimula a produção nacional de medicamentos por parcerias entre laboratórios públicos e privados. O Ministério da Saúde comprou R$ 612 milhões em insulinas de acordos envolvendo a Biomm, órgãos públicos e farmacêuticas da Índia e China desde 2025. Procurada, a campanha de Flávio não se manifestou sobre especulações de troca de indicação à Saúde. Lottenberg também não respondeu aos questionamentos. Em transmissão feita nas redes sociais nesta quinta-feira (8), Flávio disse que é mentira que "acabaria" com SUS. "É exatamente o contrário. Vou fortalecer o SUS, vai ficar uma ferramenta de ainda mais qualidade. Vocês viram quem vou indicar? O doutor Claudio Lottenberg, que foi presidente do hospital Albert Einstein, para ele trazer esse padrão Einstein para o SUS." A eventual participação de Lottenberg na política não será inédita. O médico já se aproximou de nomes da esquerda à direita nas últimas duas décadas, inclusive do atual ministro Alexandre Padilha (PT). Lottenberg foi especulado como vice de Padilha na disputa pelo governo de São Paulo, em 2014. Em entrevista à IstoÉ, em 2013, ele disse que o próprio petista o incentivou a se filiar ao PR de Valdemar Costa Neto, atual PL. Ao jornal Valor Econômico, em 2016, ele confirmou a sondagem para vice, mas disse que as conversas não avançaram. Antes, Lottenberg havia sido secretário de Saúde da gestão de José Serra (PSDB) na Prefeitura de São Paulo. Ele atuou no cargo por cerca de cinco meses, em 2005, e pediu demissão e divulgou carta aberta dizendo que "não bastam boas ideias", "é fundamental contar também com apoio, autonomia e motivação". Lottenberg ainda promoveu encontros da então presidente Dilma Rousseff (PT) com a comunidade judaica, em 2014. Foi também cotado como candidato do Novo à Prefeitura de São Paulo e citado como possível vice de Joice Hasselmann (PSL), em 2019. Em 2020, criticou a ampliação do uso da cloroquina pelo governo Bolsonaro, mas fez acenos a Jair em 2022, quando doou R$ 20 mil à campanha de reeleição do ex-presidente. Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.