Algu�m ter� de tomar conta do candidato que for eleito at� 2030

Algu�m ter� de tomar conta do candidato que for eleito at� 2030

Um dos maiores países do mundo —o quinto em termos de tamanho e o sétimo quanto à população— vai a votos. Trata-se de escolher o presidente, a pessoa à qual confiamos a tarefa de dirigir esse Estado colossal. Em princípio, será alguém com sentido de responsabilidade acima da média, de outro modo os eleitores não lhe confiariam o seu destino. No entanto, a estação televisiva que emitiu o debate entre os candidatos, na passada sexta-feira, sentiu a necessidade de instituir uma regra antideboche. Em Portugal, o nome da regra tem ainda mais graça porque, em português europeu, deboche significa devassidão sexual. Como é óbvio, quando soube da regra, assustei-me. Depois descobri que, no Brasil, deboche significa zombaria, gozação, desaforo. Confesso que não fiquei menos preocupado. Quando as crianças são pequenas, é natural que a escola tenha regras antideboche. Depois, as crianças vão crescendo, ganhando maturidade, e a partir de certo ponto da escolaridade, já não precisamos impor normas deste tipo, porque já estão interiorizadas. Que seja preciso voltar a ditar a mesma regra num debate presidencial não é uma boa notícia. Talvez em 2026 isso já não seja estranho, mas eu caminho para a velhice e por isso continua a ser bizarro para mim que candidatos à presidência de um país tenham de ser intimados a adotar um comportamento que respeite a decência mínima. O problema é que a presença no debate é o ato de menor responsabilidade do qual o candidato vencedor participará nos próximos quatro anos. Se ele precisa ser controlado no debate, é insensato deixá-lo à solta durante o mandato. Alguém terá de tomar conta dele até 2030. Talvez o responsável legal, como na escola. Só que o responsável legal do Lula já morreu, e o do Flávio Bolsonaro está preso. Sugiro, por isso, que a eleição decorra como previsto, e que depois possa haver uma eleição adicional para definir quem seria o responsável legal do presidente eleito. Uma professora, por exemplo. Alguém que possa dar educação e pôr na ordem o presidente da República. Ao que parece, ele precisa. Não faz sentido ser antideboche no debate e pró-deboche no mandato. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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