Apesar de a campanha presidencial seguir nas ruas, numa acirrada disputa por votos na reta final do segundo turno, representantes de diferentes segmentos políticos e econômicos se mobilizam para emplacar indicados em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), tanto no Executivo quanto no Legislativo. Um dos mais ativos é o agronegócio. O setor tem inúmeros nomes, não apenas para o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária). Há movimentos no agro para tentar emplacar indicados também no Ministério do Meio Ambiente e no MME (Ministério de Minas e Energia), sob o argumento de que ambas as pastas interagem com o agronegócio. As lideranças políticas do setor tentam montar um xadrez político de olho no Executivo e no Legislativo. Para o Mapa, a disputa é acirrada. O favorito é o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), mais conhecida como bancada ruralista, que apoiou Flávio. Também já foram citados o economista e produtor rural Geraldo Melo Filho, hoje secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), que é cogitado dentro das articulações com o MDB. Na lista ainda estão Reinaldo Azambuja, ex-governador de Mato Grosso do Sul, e Mauro Mendes (União Brasil-MT), ex-prefeito de Cuiabá, ex-governador de Mato Grosso e senador eleito. Mendes também é cotado para o MME. Engenheiro eletricista por formação, tem trânsito e interlocução com empresas de biocombustíveis. A dupla indicação também envolve articulações políticas. Sua ida para alguma pasta abriria caminho para empossar no Senado seu primeiro suplente, Cidinho Santos (PP-MT), que é próximo da família Bolsonaro e participou das articulações de apoio a Flávio em Mato Grosso. Em outra frente, representantes do agronegócio argumentam que é importante ter no Ministério do Meio Ambiente alguém com quem possam dialogar. Um nome novo que surgiu foi o do deputado Zé Vitor (PL-MG), engenheiro agrônomo que participou de discussões legislativas envolvendo licenciamento ambiental, exploração de recursos naturais e transição energética. Aqui, a sugestão faz parte de outro arranjo mais amplo. Zé Vitor está indicado para substituir Lupion na FPA. Se fosse para um ministério, esse posto poderia receber Azambuja. Para o Meio Ambiente existe também movimentação para a volta de Joaquim Leite, ex-ministro da pasta no governo Jair Bolsonaro. Ricardo Salles, que também foi ministro na área, é outro nome. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) é vista como porta-voz nata do agronegócio e boa opção como ministra no Mapa. Porém, há quem defenda que seja escalada na composição de forças no Senado para 2027. O PL elegeu 19 senadores e deverá iniciar a próxima legislatura com uma bancada de 28 integrantes, a maior de um partido na Casa no início de uma legislatura desde a Constituição de 1988. Existe a expectativa de que a sigla busque a presidência do Senado, medindo forças com o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que articula a reeleição com o apoio de Lula (PT), caso o petista vença a disputa presidencial. Vitorioso nas urnas para seu primeiro mandato como senador, Arthur Lira (PP-AL) já indicou ter a intenção de disputar a presidência da Casa. Entre apoiadores de Flávio no agro, há quem defenda uma composição para a transição nessa presidência. Em um dos arranjos, Tereza Cristina poderia ficar na cadeira por um mandato e passaria o bastão para Lira na sequência. O coordenador político de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), outro que poderia ficar na presidência, já é visto como forte candidato a ministro da Casa Civil em um eventual governo do PL. Pessoas que acompanham a campanha afirmam que Flávio está focado em ganhar o pleito antes de definir nomes na Esplanada dos Ministérios, mas internamente já existem algumas sinalizações mais concretas. Para o Ministério de Minas e Energia, ganhou muita força nos bastidores o nome de Adriano Pires, coordenador da área de energia no programa de governo de Flávio. Pires é conhecido pela família e já foi indicado para a presidência da Petrobras, em 2022, pelo então presidente Jair Bolsonaro, mas acabou não assumindo depois de uma sequência de questionamentos. Pires é fundador do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), consultoria especializada em petróleo, gás e eletricidade que atende várias empresas. Na sequência do anúncio de seu nome para a estatal, o Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) pediu que a indicação fosse condicionada à apuração de possíveis conflitos de interesses. O Comitê de Pessoas da Petrobras também identificou riscos nessa linha. Uma semana depois da indicação, o próprio Pires desistiu do cargo, afirmando que não conseguiria se desligar de sua consultoria no prazo necessário. No mercado, Pires mantém uma relação de amizade com o empresário Carlos Suarez, com forte atuação no segmento de gás —proximidade que ele nunca negou, mas sempre afirmou não interferir em seu trabalho profissional. Outro cotado para a área de energia é André Pepitone. O executivo ocupou a diretoria financeira de Itaipu tanto no governo Jair Bolsonaro, que o nomeou em 2022, quanto no de Lula, que o reconduziu ao cargo em 2023, após uma breve exoneração. Seu nome está na bolsa de apostas para diferentes cargos, incluindo o comando da usina binacional, dado o conhecimento que adquiriu. Existe também um entendimento de que o novo Ministério da Prosperidade tende a ficar com Daniella Marques. Essa nova pasta está sendo desenhada para ser um superministério, dedicado a dar um novo rumo à política pública de fomento do empreendedorismo e requalificação profissional. Segundo o desenho em discussão, deverá haver a fusão do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte com o MDS (Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome), responsável pela gestão do Bolsa Família. A Caixa Econômica Federal será escalada para dar apoio. Quem acompanha o projeto defende que concentrar numa única estrutura os mecanismos de assistência social com ferramentas de fomento a pequenos negócios é uma tentativa de criar uma rampa de acesso: o beneficiário que depende de algum auxílio vai encontrar apoio do Estado para ingressar no mercado formal, seja encontrando um emprego ou assumindo um pequeno negócio. A equipe responsável pelo plano econômico propôs o ministério para antecipar uma resposta ao impacto da inteligência artificial no mercado de trabalho, que, acreditam os aliados de Flávio na economia, será significativo nos próximos anos. A fusão de áreas proposta para o Ministério da Prosperidade está alinhada com outra medida já anunciada por Flávio, que é reduzir o número de ministérios. Hoje são 38, mas ele ainda não cravou o número final, ventilando que seriam 25 ou 27. Dentro dessa sinalização, existe a percepção de que o eventual governo de Flávio pode resgatar configurações lançadas no governo do pai. Os ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos tendem a ser reunificados em um Ministério da Infraestrutura, por exemplo. Existe também o entendimento de que Fazenda e Planejamento trabalham melhor quando integrados.
Agro mira minist�rios do Meio Ambiente e de Minas e Energia em eventual governo Fl�vio Bolsonaro
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