A��es de Israel amea�am 'vida e exist�ncia' de palestinos, diz presidente da Autoridade Palestina na ONU

A��es de Israel amea�am 'vida e exist�ncia' de palestinos, diz presidente da Autoridade Palestina na ONU

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou nesta quinta-feira (24) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que o "povo palestino enfrenta um dos períodos mais perigosos de sua história". Segundo o líder, as ações de Israel na Faixa de Gaza e na Cisjordânia não só enfraquecem a solução de dois Estados, mas ameaçam "a própria vida e a existência do povo palestino". Abbas foi obrigado, pelo segundo ano consecutivo, a discursar por videoconferência, após o governo de Donald Trump negar seu visto de entrada nos Estados Unidos. A Casa Branca justificou a recusa afirmando que a Autoridade Palestina e a OLP (Organização para a Libertação da Palestina), ambas presididas por Abbas, não implementaram reformas assumidas junto a Washington. As entidades, por sua vez, classificaram a decisão como injustificada. "Em Gaza, nosso povo está sendo submetido, pelas forças de ocupação israelenses, a mortes, destruição, fome e tentativas de deslocamento, além de uma guerra genocida que criou uma catástrofe humanitária sem precedentes", disse Abbas em seu discurso, gravado previamente. O líder palestino também alertou para o aumento da violência de colonos na Cisjordânia ocupada por Israel. A região é um dos dois territórios palestinos, ao lado da Faixa de Gaza, que integram a área destinada à criação de um Estado palestino nas negociações e nos planos internacionais para a região. "O terrorismo dos colonos está se intensificando sob a proteção das forças de ocupação. Trata-se de terrorismo de Estado", afirmou. "Há um perigo ainda maior, que exige uma ação internacional. O perigo não se limita mais a enfraquecer a solução de dois Estados e impedir a concretização do Estado palestino. Agora, ele ameaça a própria vida e a existência do povo palestino." Abbas citou diretamente o projeto conhecido como E1, aprovado por Tel Aviv em 2025. Se concluído, ele separaria Jerusalém Oriental, que os palestinos esperam que possa ser a capital de um futuro Estado, do resto da Cisjordânia. O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, liderou uma rápida expansão dos assentamentos e estabeleceu postos avançados de colonos na região. Essas comunidades residenciais são ilegais perante o direito internacional —a Convenção de Genebra proíbe um país que ocupa um território de transferir sua população para a região ocupada. Desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, a violência contra palestinos no território se intensificou "A solução de dois Estados garante paz para todos, em vez da ameaça que emana do extremismo israelense, que busca expandir seu projeto colonial [...] e eliminar completamente a presença palestina", afirmou Abbas. O líder palestino afirmou que que o povo palestino "não aceitará ser deslocado nem desaparecer" e que permanecerá "em sua terra". A declaração soa como uma resposta ao aumento da pressão do governo de Netanyahu, que enfrentará eleições em outubro. O ministro Israel Katz (Defesa) afirmou neste mês que é apenas uma questão de tempo até que o país retome a guerra em larga escala em Gaza e comece a expulsar os cerca de 2 milhões de palestinos do território. Mais tarde nesta quinta, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, também discursará. Em uma declaração em vídeo nesta semana, o premiê disse que iria a Nova York "para dizer a verdade" sobre a guerra.A decisão de barrar Abbas reflete alinhamento de Washington ao governo de Netanyahu, e um isolamento em relação à posição de grande parte da comunidade internacional que, no ano passado, reconheceu na ONU a existência de um Estado da Palestina. Ao todo, 142 Estados-membros das Nações Unidas apoiaram essa posição ao final da conferência sobre a solução de dois Estados, copresidida pela França e pela Arábia Saudita. O documento defende a criação de um Estado palestino soberano e independente ao lado de Israel e também pede o fim da guerra em Gaza. Os EUA e Israel se opuseram à iniciativa e não participaram da conferência. O discurso de Abbas também reconheceu a movimentação de governos europeus para pressionar o governo Netanyahu. Na Faixa de Gaza, a situação humanitária continua crítica, segundo organizações internacionais, e forças israelenses seguem bombardeando o território mesmo após o acordo de cessar-fogo anunciado em outubro de 2025. A Cisjordânia é dividida em três zonas. A zona A é administrada pela Autoridade Palestina e é a única em que a polícia palestina exerce plenamente funções de segurança interna. O Exército de Israel exerce total controle nas zonas B e C. A primeira tem administração civil palestina, mas não de segurança. Já a segunda é onde ficam os assentamentos judaicos. Em julho deste ano, Abbas convocou eleições legislativas para 28 de novembro, as primeiras desse tipo em quase duas décadas. O Conselho Legislativo Palestino, o Parlamento da Autoridade Palestina, não se reúne desde 2007. A realização de um novo pleito faz parte das reformas cobradas pela comunidade internacional, que presta apoio financeiro à Autoridade Palestina. Abbas venceu a última eleição presidencial palestina, em 2005, com mandato de quatro anos. O período terminou em 2009, mas ele permanece no cargo desde então. Em abril deste ano, os palestinos participaram de eleições locais na Cisjordânia, na primeira votação desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. A Autoridade Palestina foi criada pelos Acordos de Oslo para administrar temporariamente partes da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, enquanto se negociava a criação de um Estado palestino independente. O acordo, porém, não resultou na criação do Estado previsto. Comandada pelo Fatah, partido de Abbas, a Autoridade Palestina não controla a Faixa de Gaza, governada de fato pelo Hamas desde 2007, após a tomada do território pelo grupo terrorista em confronto com o Fatah.

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