O dólar abriu perto da estabilidade nesta quarta-feira (9), enquanto no exterior a moeda norte-americana recuava ante a maior parte das demais divisas. Os investidores acompanham o aumento dos ataques entre EUA e Irã, que levou o petróleo a ultrapassar US$ 100 pela primeira vez desde maio, e também monitoram os desdobramentos da crise no STF (Supremo Tribunal Federal). Às 9h12, o dólar caía 0,03%, cotado a R$ 5,0879. Na terça-feira (8), a moeda norte-americana fechou em queda de 0,76%, com investidores repercutindo as novas pesquisas eleitorais, que reforçam um cenário de disputa acirrada no segundo turno da eleição presidencial de outubro. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, fechou o dia em queda de 0,32%. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em alta de 1,19%, aos 187.366 pontos. Também com a repercussão nas expectativas para a eleição e a alta das commodities, como petróleo e minério de ferro, no exterior. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, afirma que a valorização da Bolsa continua sendo sustentada pela força das commodities e pelo fluxo de capital estrangeiro, que vê atratividade nas ações brasileiras diante do cenário global. Durante o feriado de 7 de setembro, uma nova pesquisa Quaest mostrou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro numericamente empatados em 41% em uma simulação de segundo turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Além disso, pesquisa BTG/Nexus divulgada na última terça aponta que Lula e Flávio Bolsonaro têm, respectivamente, 39% e 34% das intenções de voto no primeiro turno. Na semana passada, eles tinham 37% e 31%, respectivamente. Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, a expectativa de uma política fiscal mais conservadora com Flávio faz o mercado queimar prêmio nas curvas de juros, enquanto Lula enfrenta menor credibilidade nesse front devido ao histórico recente de um governo visto como gastador. Perri afirma ainda que a redução do prêmio nas curvas de juros diminui o custo de oportunidade de investir em ações, favorecendo a Bolsa. Segundo ele, o movimento também tem atraído de volta investidores estrangeiros e fortalecido o fluxo comprador externo nos últimos pregões. O mercado também acompanhou os dados do novo boletim Focus, que mostrou que os economistas elevaram a previsão para o PIB deste ano pela primeira vez em mais de dois meses e reduziram a estimativa para a inflação pela segunda semana consecutiva. Segundo o Focus, os analistas esperam crescimento econômico de 1,93% neste ano, alta de 0,01 ponto percentual em relação à expectativa da semana passada. Foi a primeira elevação da previsão para o PIB desde 29 de junho, quando passou de 1,98% para 1,99%. Depois disso, a estimativa ficou estável por seis semanas e começou a cair até chegar a 1,92% na semana passada. Para 2028, a previsão de crescimento do PIB caiu de 1,98% para 1,96%. Olivia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, diz que a combinação de inflação menor e crescimento maior é positiva, mas a melhora foi marginal. A projeção para o IPCA passou de 5,01% para 5%, enquanto a do PIB subiu 0,01 ponto percentual. A estimativa para a Selic, por sua vez, permaneceu em 13,75%. Para ela, o dado mais relevante da inflação está nas projeções para os anos seguintes. A estimativa para o IPCA de 2027 subiu de 4,28% para 4,29%, enquanto a de 2028 permaneceu em 3,80%. "O mercado enxerga algum alívio imediato, mas ainda não comprou integralmente a história de convergência da inflação nos anos seguintes", afirma. A trajetória da Selic reforça esse cenário. O Focus projeta a taxa em 13,75% no fim de 2026, 12% em 2027 e 10,50% em 2028. Apesar da queda de 3,25 pontos percentuais prevista para os próximos dois anos, os juros ainda permaneceriOii, Ram em dois dígitos ao fim de 2028. Isso mantém a renda fixa competitiva e o crédito caro, além de pressionar a precificação de ativos de risco, como ações. Em Wall Street, as bolsas fecharam em queda. O Dow Jones caiu 1,18%, o S&P 500 recuou 0,58% e o Nasdaq teve baixa de 0,32%. Juliana Benvenuto, coordenadora de Alocação e Inteligência da Avenue, afirma que os investidores repercutiram nesta terça-feira (8) o payroll de agosto, divulgado na sexta-feira (4). A economia americana criou 162 mil vagas, acima das 55 mil esperadas pelo mercado, enquanto a taxa de desemprego ficou em 4,1%. Segundo Benvenuto, o resultado reforçou as apostas em uma postura mais dura doFed na reunião de política monetária de 15 e 16 de setembro, o que pressionou as Bolsas americanas nesta terça. Na última quinta-feira, o diretor do Fed Christopher Waller afirmou que pode defender a manutenção dos juros neste mês caso a inflação americana dê sinais de recuo. O próximo indicador de inflação a ser divulgado é o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de agosto, previsto para esta sexta-feira (11). O Fed prefere o Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) como medida de inflação, mas o indicador só será divulgado em 30 de setembro. A sinalização de Waller contrasta com a do presidente do Fed, Kevin Warsh, que afirmou, em Jackson Hole, que o banco central terá trabalho a fazer caso a inflação americana não retorne à meta de 2%. Uma postura mais restritiva do Fed tende a impulsionar o dólar e os Treasuries, títulos do Tesouro americano, e pressionar ativos de mercados emergentes, como o real e a Bolsa. O mercado também vem sendo pressionado, desde a última semana, pela crise no STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram divulgadas na última terça-feira (1º) e indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro. A retirada do sigilo da investigação, por decisão do ministro André Mendonça, revelou que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país. Nesta terça, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. Na mesma decisão, o ministro também afastou preventivamente o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. Segundo a decisão, o afastamento foi motivado pela produção de um relatório interno da Polícia Federal usado por Moraes para contra-atacar Mendonça.
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