Acidente com �nibus em Petr�polis mobiliza favela de Belo Horizonte

Acidente com �nibus em Petr�polis mobiliza favela de Belo Horizonte

Três moradores da Vila Acaba Mundo, favela na região centro-sul de Belo Horizonte, foram neste domingo (16) até o Rio de Janeiro para buscar informações de vítimas do bairro que estavam em um ônibus de turismo que tombou pela manhã na descida da serra de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Dez pessoas morreram no acidente, todas mulheres, mas nenhuma morava na comunidade. Ao menos dez vizinhos foram hospitalizados, diz Paola Vielale Fileto Tassini, 33, vice-presidente da Associação dos Moradores da Vila Acaba Mundo. Ao todo, sete adultos e cinco crianças do bairro estavam no ônibus, que, segundo a líder comunitária, era uma excursão de bate e volta para a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O acidente ocorreu no km 91 da BR-040, na serra de Petrópolis, por volta das 4h30, de acordo com a PRF (Polícia Rodoviária Federal). O ônibus tombou por motivos que ainda são investigados. A rodovia ficou bloqueada durante a madrugada e na manhã deste domingo, mas já foi liberada. Paola e o marido, Neylor Passini, presidente da associação, moram em cima de uma padaria. Souberam do acidente quando desceram para comprar pão. A partir daí, as atualizações das vítimas passaram a ser feitas no grupo do bairro no aplicativo de mensagens WhatsApp. Três moradores foram para o Rio de Janeiro e começaram a buscar informações nos hospitais para onde os feridos acabaram levados, o Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, de Duque de Caxias, e unidades hospitalares de Petrópolis e do Rio de Janeiro. Os últimos moradores do bairro encontrados foram uma mulher, de nome Maria Luísa, e seus quatro filhos, todos internados. O estado de saúde não foi informado. "Soubemos que estão todos machucados, mas bem. Foi um alívio saber disso, pois tinha criança no ônibus", afirma Paola. Um evento para crianças, que seria realizado neste domingo na Vila Acaba Mundo, foi cancelado por causa do acidente. "Aqui todos são amigos ou primo de alguém", diz. O coletivo era da empresa Estrela Guia Turismo e saiu de Belo Horizonte com destino ao bairro de Copacabana, na capital fluminense. ÔNIBUS ERA CLANDESTINO, DIZ ANTT A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) afirmou que ônibus, de placa AKY-3454, não está habilitado nos sistemas da agência para realizar transporte interestadual de passageiros. O veículo, de acordo com a agência, está registrado em nome da Dinna Ellles Turismo, com comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. Nenhuma das duas empresas está habilitada pela ANTT, ressaltou. Também não foi localizada empresa habilitada com o nome Estrela Guia Turismo, apontada como responsável pela viagem. "O ônibus apresenta ainda adesivo da ANTT em nome da empresa Samara, que também está inapta. Diante das informações disponíveis até o momento, a operação é caracterizada como transporte clandestino de passageiros", afirmou o órgão do governo federal. EMPRESA LAMENTA ACIDENTE Em nota, a Estrela Guia manifestou profundo pesar pelo acidente e se solidarizou com as vítimas, seus familiares e todos os envolvidos. A empresa afirmou que colabora integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração e está adotando todas as medidas necessárias para prestar assistência às vítimas e seus familiares. "Neste momento de profunda consternação, pedimos respeito à privacidade das famílias e das pessoas afetadas", afirmou. A empresa disse que aguarda a conclusão das investigações para que as circunstâncias do acidente sejam devidamente esclarecidas. A Estrela Guia disse que está levantando as informações sobre os passageiros do ônibus. Questionada sobre a regularidade das operações e a afirmação da ANTT sobre a falta de regularização do ônibus e da empresa, a Estrela Guia não respondeu.

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