Como era esperado, a participação de brasileiros que moram nos Estados Unidos neste primeiro turno caiu. Ainda que apontar um único fator seja difícil, autoridades dizem que a política imigratória americana amedrontou alguns eleitores. Com quase todos os dados apurados, a abstenção cresceu nos nove postos consulares para os quais já há informações, mostram os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Faltam números de dois postos ainda. As médias de abstenção variam de 65% a 78% em cada local. Tradicionalmente, a abstenção eleitoral de brasileiros no exterior é elevada —56,2% no primeiro turno de 2022. Os Estados Unidos não foram à regra. Naquele ano, houve postos consulares, como o de Chicago, no qual a abstenção se aproximou de 72%. O local com maior participação foi Nova York, onde 40,5% foram votar. Autoridades diplomáticas disseram acreditar que a abstenção também cresceu devido ao aumento de brasileiros aptos a votar no exterior. E apontam um motivo para isso. Mais pessoas que já moravam no país mas não estavam registradas para votar e nem participavam do pleito transferiram o título de eleitor para o país no último ano para estar em dia com a autoridade eleitoral. Fazê-lo eram um pré-requisito para renovar o passaporte, e 2025 foi um ano recorde na produção desses documentos pelos serviços consulares brasileiros nos EUA. Nova York foi um dos pontos de atenção neste ano, e também nele a participação caiu. Ao redor de 39 mil brasileiros estão inscritos para votar na jurisdição que responde ao Consulado em Nova York e abarca não apenas o estado, como também Nova Jersey, Pensilvânia e Ilhas Bermudas. A abstenção na região este ano foi de 74%, ante 59,5% na eleição de 2022. O único local de votação disponibilizado neste ano, no Queens, foi criticado por muitos eleitores devido à distância da região central de Manhattan —em torno de 1 hora de transporte público. Eleitores que falaram à reportagem disseram que buscariam ir no segundo turno, mas que neste primeiro a viagem lhes custaria muito tempo. Entre as motivações do consulado para a escolha do local estiveram as ações do ICE, como revelou a reportagem, e a preocupação com evitar a possibilidade de boca de urna, comum no exterior. Por isso buscou-se um local grande, sem necessidade de formação de filas nas urnas, e no qual a entrada dos agentes de migração fosse mais difícil. Em teoria, para entrar em um centro escolar como o usado, a agência precisaria de um mandato judicial. Durante todo o dia a votação ocorreu com tranquilidade. À reportagem o cônsul do Brasil em Nova York, Adalnio Senna Ganem, disse que a escolha do local prezou por dois critérios: organização e segurança. E que eles foram atendidos. Muitos brasileiros que vivem na cidade de Newark, a maior de Nova Jersey, disseram que não sairiam de suas casas para votar. Eles já mudaram suas rotinas para estar menos nas ruas devido às constantes ações migratórias na região. Por grupos de Whatsapp, comunicam onde os agentes do ICE estão para evitar o local. Em Boston, região também na Costa Leste dos EUA que é um dos principais bastiões da comunidade brasileira, a votação também ocorreu sob tranquilidade, mas também havia expectativa de que a abstenção aumentasse, o que ocorreu. Quase 70% dos aptos a votar não compareceram, ante 63,7% em 2022. É naquela jurisdição, no estado de Massachussets, onde viviam a maioria dos brasileiros até hoje deportados pelo governo Trump —em torno de 30% dos 5.500. Outros 20% vivem nas regiões que votam em Nova York, a maioria deles (9,9%) em Nova Jersey. Ainda em Boston, havia dois postos de votação, um na cidade de Framingham e outro na de Malden. Eles eram, respectivamente, uma igreja e uma escola. Foram os mesmos locais de votação da eleição passada, e autoridades consulares buscaram preservar os centros de votação no mesmo local para que os brasileiros se sentissem mais seguros em relação ao ICE.
Absten��o eleitoral de brasileiros cresce nos EUA
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