Em meio à vitória histórica do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato desta terça-feira (3), vários estados dos Estados Unidos também realizaram plebiscitos sobre temas pitorescos e, em alguns casos, controversos. Enquanto eleitores em Idaho escolheram qual deve ser considerada a arma oficial do estado e os moradores do Alabama aprovaram uma medida para exigir que o hino nacional toque pelo menos uma vez por semana em escolas, outros estados restringiram direitos de mulheres trans, limitaram acesso ao aborto e derrotaram uma medida considerada inovadora para taxar bilionários. Pelo menos 150 consultas populares foram realizadas junto com a votação que renovou um terço do Senado e toda a Câmara nos EUA —as duas Casas estarão sob controle dos democratas a partir de 2027. Um dos temas mais frequentes, estimulado pelo presidente Donald Trump e pelo Partido Republicano, foi a restrição a direitos de pessoas trans. Nos estados do Arizona, Colorado, Nebraska e Washington, os eleitores aprovaram medidas que proíbem mulheres e meninas trans de participar de competições esportivas na categoria feminina em escolas e universidades. Enquanto republicanos dizem agir para proteger mulheres cisgênero (que se identificam com seu sexo biológico), opositores acusam o partido de tentar mobilizar sua base às custas dos direitos de uma minoria. No Arizona, o plebiscito expandiu a proibição para incluir também escolas privadas e exigir que vestiários e banheiros só possam ser acessados por atletas "cujo gênero esteja de acordo com a certidão de nascimento". No Nebraska, a proibição foi codificada na Constituição estadual, o que torna muito mais difícil de ser alterada no futuro. No estado de Washington, a medida aprovada é ainda mais expansiva. A partir de agora, toda pessoa que quiser fazer parte de um time feminino vai precisar ter seu "sexo biológico" verificado por um profissional de saúde —medida que, segundo críticos, vai levar a exames desnecessários e invasivos. Eleitores do Colorado, por sua vez, aprovaram uma lei que proíbe cirurgias relacionadas a redesignação sexual em crianças e adolescentes, juntando-se a mais de 20 estados americanos que possuem proibições semelhantes. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina só permite a cirurgia de redesignação sexual em todos os casos a partir de 21 anos. Os eleitores do Idaho, além de escolher a carabina Winchester modelo 1873 como arma oficial do estado, também votaram para preservar a proibição do aborto em vigor desde 2022, quando a Suprema Corte americana derrubou o direito à interrupção da gravidez em nível nacional. Na Califórnia, onde a apuração ainda está em curso, deve ser derrotada a proposta submetida aos eleitores que estipularia um novo imposto para bilionários. O estado tem sozinho um PIB maior do que países como Japão, Reino Unido e Brasil, individualmente. Graças à massiva presença de grandes empresas de tecnologia do Vale do Silício, 250 bilionários têm residência oficial na Califórnia. Lá Fora Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo A medida queria cobrar desses bilionários um imposto de 5% de todos os seus bens, sem distinção acerca de em qual estado americano ou país do mundo eles estivessem registrados. A proposta era considerada inovadora por economistas que estudam desigualdade e redistribuição de renda, uma vez que teria caráter único —o imposto seria cobrado apenas uma vez— e mirava não a renda, mas o valor combinado da riqueza desses empresários. Os apoiadores da tese esperavam arrecadar US$ 100 bilhões (R$ 550 bilhões), que seriam utilizados para subsidiar planos de saúde para famílias de baixa renda e investimentos em educação e segurança alimentar. A título de comparação, o valor é mais do que o dobro do que prevê o orçamento federal de 2026 para a saúde no Brasil (R$ 250 bilhões).
Aborto, pessoas trans, armas e bilion�rios tamb�m estavam nas c�dulas durante elei��o nos EUA
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