Abaixo-assinado de moradores pressiona contra arena multiuso na marginal Pinheiros, em S�o Paulo

Abaixo-assinado de moradores pressiona contra arena multiuso na marginal Pinheiros, em S�o Paulo

Um abaixo-assinado que já reúne mais de 5.800 assinaturas se opõe à construção de uma arena multiuso para até 20 mil pessoas na marginal Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. A mobilização já levou duas associações de bairro a protocolar, em 22 de junho, uma representação no Ministério Público de São Paulo contra o projeto Hub Pinheiros, da prefeitura. Em resposta, a Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo abriu, em 10 de julho, inquérito civil para apurar o caso. A proposta da prefeitura também prevê um hub de inovação e um edifício-garagem, em terreno de 53.795 m² que hoje abriga a sede da Subprefeitura de Pinheiros, instalações da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e da UVIS (Unidade de Vigilância em Saúde), além da Praça Victor Civita. O processo está na fase de PPMI (Procedimento Preliminar de Manifestação de Interesse), que recebeu propostas de quatro grupos —Live Nation, Construcap, In Entretenimento e Instituto Idea—, com sugestões que incluem shopping, hotel, prédio corporativo, domo para shows e incentivos fiscais. A SEDP (Secretaria Executiva de Desestatização e Parcerias) informou que o projeto está em fase de avaliação das contribuições e dos estudos recebidos no PPMI, e que a decisão sobre avançar para a etapa de modelagem depende dessa análise. Segundo a pasta, caso o projeto avance, será submetido a consulta pública e audiência pública. Também disse que, no momento, não há informações consolidadas a compartilhar. A representação dos moradores foi assinada pela SAAP (Associação dos Amigos de Alto dos Pinheiros) e pela SAB (Sociedade Amigos do Bairro City Boaçava), com apoio de outras associações. O documento, endereçado ao promotor Roberto Luis de Oliveira Pimentel, afirma que os moradores souberam do projeto por reportagem da Folha, publicada em 9 de junho, e que o prazo dado pela prefeitura para manifestações —até 1º de julho— foi curto diante da complexidade técnica da proposta. As entidades sustentam que a prefeitura não apresentou o Estudo de Impacto Ambiental, o Relatório de Impacto Ambiental nem o Estudo de Impacto de Vizinhança —documentos que consideram obrigatórios pela Lei 6.938/81, pela Resolução Conama 001/86 e pelos artigos 36 a 38 do Estatuto da Cidade. Segundo a representação, o próprio termo de referência do PPMI prevê que os interessados só vão elaborar estudos de demanda e de polo gerador de tráfego depois, já no curso da parceria. Entre os pontos não avaliados, a representação cita possíveis impactos no sistema viário local e metropolitano, na circulação de veículos particulares, aplicativos e ônibus fretados, no transporte público, além de ruído, impermeabilização do solo, drenagem urbana e efeitos sobre a Praça Victor Civita e o Hub GreenSampa. O documento lembra ainda que o terreno está na Operação Urbana Consorciada Faria Lima e em Zona de Ocupação Especial, e que o loteamento do Alto dos Pinheiros tem restrições urbanísticas perpétuas estabelecidas pela loteadora Companhia City. Para Maria Helena Bueno, presidente da SAAP e moradora do Alto de Pinheiros há 30 anos, o projeto representaria desperdício de R$ 40 milhões em obras que a própria prefeitura fez recentemente no entorno. Segundo ela, o bairro depende da Praça Victor Civita como "um dos raros refúgios verdes daquela área". Na última terça-feira (22), moradores criaram o Fórum do Futuro de Pinheiros, em reunião no auditório da subprefeitura, como reação à falta de audiências públicas oficiais sobre o projeto até agora. O terreno é cobiçado pelo mercado imobiliário há décadas: prefeitos como Marta Suplicy (PT), Gilberto Kassab (PSD) e João Doria (então PSDB) já cogitaram vender ou permutar a área. A gestão Ricardo Nunes (MDB) já havia proposto projeto semelhante para o Parque das Bicicletas, em Moema, suspenso em 2024 após questionamento do Tribunal de Contas do Município e mobilização de moradores.

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