Durante minha infância ouvia muita gente falar dele com admiração e curiosidade. Na minha cabeça, era uma figura mítica, uma lenda, um playboy por excelência, preocupado em curtir a vida alucinadamente, namorando, bebendo, pilotando seus próprios aviões e participando de corridas de carros. Seu nome aparecia nos jornais e revistas do Brasil e do exterior, como as norte-americanas Life Magazine e Time. Em São Paulo, sua base era a Casa das Tochas, na avenida Morumbi, onde promoveu festas antológicas. Francisco Matarazzo Pignatari (1916-1977), conhecido como Baby Pignatari, foi um dos personagens mais notáveis da elite brasileira e internacional entre as décadas de 1940 e 1960. Nascido em Nápoles, na Itália, fez tudo o que quis. Com sua vida amorosa, empresarial e social sempre agitada, ganhou fama nos salões frequentados pelos milionários da Europa e dos Estados Unidos e namorou algumas das mais belas mulheres de sua época. Sua lista de relacionamentos era extensa. Incluiu Anita Ekberg, Jill St. John, Linda Christian, Dolores del Río, Joanna Moore, Susan Cabot, entre muitas outras atrizes de Hollywood. Seu grande caso, porém, foi com uma princesa, a italiana Ira de Furstenberg, por quem se apaixonou na década de 1960. Ira era relações-públicas do estilista Valentino e herdeira da Fiat. Também era casada e 24 anos mais nova do que Pignatari. Ele praticamente a sequestrou quando ela tinha 20 anos e a trouxe para o Brasil em 1961. Para abrigar a princesa, com quem se casou, Pignatari decidiu construir uma mansão na antiga Chácara Tangará, na beira do rio Pinheiros, no bairro Panamby. Contratou um projeto do arquiteto Oscar Niemeyer e deixou a responsabilidade pelos jardins para o paisagista Roberto Burle Marx. A obra avançou até 1964, quando terminou o relacionamento. Os jardins foram preservados e transformados décadas mais tarde no parque Burle Marx. Já a casa inacabada foi demolida e no terreno que ela ocupava hoje funciona o hotel cinco estrelas Palácio Tangará, inaugurado em 2017. Apesar de seu hedonismo, Pignatari não era um playboy ocioso, que só vivia da herança. Bancava seu estilo extravagante com o dinheiro obtido em projetos empresariais bem-sucedidos. Neto do conde Francesco Matarazzo, começou a trabalhar cedo no negócio do pai, Giulio Pignatari, a Laminação Nacional de Metais. Em 1942, fundou a lucrativa Companhia Brasileira de Cobre no Rio Grande do Sul. Era dono também de uma fábrica de pequenos aviões monomotores, os Paulistinhas, cujas vendas foram impulsionadas por uma campanha nacional movida por Assis Chateaubriand para a instalação de aeroclubes em todo o país. Em gratidão, Pignatari presenteou o jornalista com um automóvel Rolls-Royce. O playboy chegou a ter 11 empresas, inclusive de purpurina e botões. Já no final da vida, decidiu explorar uma mina de cobre na Bahia, a Caraíba Metais. Possuía um avião Electra. No final da década de 1960 seus negócios começaram a claudicar e ele entregou suas principais empresas para o governo. A Companhia Brasileira de Cobre e a Caraíba Metais serviram para quitação de dívidas contraídas em empréstimos bancários, estimados em torno de US$ 50 milhões. Em 1971, se casou pela quarta vez com Maria Regina Fernandes. Aquele que fora o "playboy número 1", como o descreveu a revista Life em 1947, e que "gastava dinheiro com a mesma velocidade com que fazia negócios", segundo reportagem da Time de 1950, morreu aos 60 anos, após uma vida intensa, mas com a fortuna dissipada. Sua herança ficou com seu único filho, Giulio, dependente de drogas que foi desinterditado e ganhou um preceptor. A partir daí o que tinha sobrado do dinheiro de Pignatari foi para o ralo. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
A trajet�ria hedonista e empreendedora de Baby Pignatari
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