A solid�o de Fl�vio B.

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Aberta a temporada eleitoral, a candidatura de Flávio Bolsonaro vive um paradoxo. Ele é o preferido dos que jogam no campo antipetista. Pesquisa após pesquisa o situa perto —às vezes até empatado— com o presidente Lula. Na sondagem de agosto da Quaest, tem 30% das preferências, contra 39% do incumbente que pleiteia a reeleição. Ao mesmo tempo, o filho do ex-presidente amarga notável isolamento das lideranças do vasto campo das direitas. Flávio Bolsonaro não logrou construir coligação eleitoral e terminou lançado apenas pela sua legenda, o PL (Partido Liberal). Desde 1989, é a primeira vez que um candidato competitivo não se apoia numa coligação. Até seu pai, um inimigo declarado do "sistema", teve a seu lado, além do PSL (Partido Social Liberal), o pequeno PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro). O filho tampouco conseguiu atrair um vice com luz própria, capaz de somar algo a uma disputa que se prevê acirrada. E o alagoano Alfredo Gaspar (PL), político de projeção apenas local, chega à campanha sob o peso de ter de se defender de graves denúncias sobre seu comportamento na vida privada. Sintomáticas são também as atitudes da direita pragmática. Espertas, as agremiações que formam o chamado "centrão" —Movimento Democrático Brasileiro (MDB), União Brasil, Partido Popular (PP) e Republicanos (PR)— se refugiaram numa posição oficial de neutralidade na disputa nacional, sem lançar candidatos próprios ao governo, nem apoiar formalmente qualquer dos concorrentes ao Palácio do Planalto no primeiro turno. Incentivos institucionais e cálculo político explicam a neutralidade. Os generosos recursos dos fundos eleitoral e partidário poderão ser totalmente empregados no que mais interessa na hora do vamos ver, porque lhes acresce poder: as eleições para o Congresso Nacional e, a depender das circunstâncias, para os governos estaduais. Já a neutralidade confere flexibilidade política à escolha das coligações subnacionais. Ali onde o PT é forte, não haverá por que hostilizar seu candidato à Presidência. Por trás de tudo, a certeza de que o vitorioso sempre dependerá do apoio das forças majoritárias no Parlamento. Brasília Hoje Receba no seu email o que de mais importante acontece na capital federal A existência e a amplitude das coligações estão longe de ser os determinantes maiores do voto. Este resulta de um conjunto de fatores que incidem de diferentes formas sobre diferentes tipos de eleitor e incluem também a existência de identificação do votante com um partido; simpatia pelo candidato; e a própria campanha eleitoral e seus múltiplos recursos de persuasão. Os cientistas políticos concordam que as coligações partidárias têm ainda importantes efeitos indiretos. Multiplicam os recursos para campanhas; trazem tempo e dinheiro para a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV e para a comunicação nas redes sociais; asseguram capilaridade em todo o território; e sinalizam a existência de apoios que fazem a candidatura —e um futuro governo— parecer politicamente viáveis. Assim, não será à toa que, no chocho comício inaugural da campanha de Bolsonaro-2, domingo passado (16/8), em Copacabana, seja mais fácil contar quem não foi. Por lá não se viram políticos conhecidos, nem bolsonaristas notórios. Prova viva da solidão política do candidato da extrema direita. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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