Quando? Não sei. Mas sei que um jornalista financeiro que afirma saber que a "nova economia" é imune a recessões deve ser muito jovem, porque claramente não vivenciou os diversos ciclos econômicos em que outros jornalistas financeiros disseram a mesma coisa. Agora dizem que foi a IA que tornou o ciclo obsoleto. Se eu soubesse quando a recessão chegará, seria uma bilionária mais rica que Elon Musk. Se Deus dissesse a você quando haverá o próximo boom imobiliário em São Paulo, ou quando a Bolsa de Valores de Nova York subirá, você poderia ganhar uma fortuna infinita especulando sobre a queda ou a alta. Portanto, deve estar errado que a econometria ou alguma outra coisa possa prever a próxima recessão com precisão suficiente para gerar esses bilhões. Muitos economistas preveem o que é essencialmente o oposto do otimismo dos jornalistas financeiros —mas igualmente anticientífico, e também tão lucrativo quanto se eles realmente fossem tão inteligentes. Eles dizem que sabem que a economia atual está fadada ao fracasso. Admiro muito os excelentes economistas, meus amigos, Robert Gordon (n. 1940) e Tyler Cowen (n. 1962), ambos autores de livros catastróficos que se tornaram best-sellers. Por algum motivo, as pessoas adoram livros que dizem que O Fim está próximo. Em 1968, o biólogo Paul Ehrlich (1932-2026) escreveu um livro que vendeu mais de 3 milhões de exemplares em todo o mundo. "The Population Bomb" (a bomba populacional) foi lançado no auge do pânico sobre a superpopulação que causaria O Fim. (Para onde foi esse pânico? Ele se transformou no pânico atual sobre a subpopulação. Alguma lição?) Alguns economistas vêm divulgando pessimismo semelhante desde que David Ricardo (1772-1823) previu, em 1817, que os proprietários de terras abocanhariam toda a renda e deixariam o resto de nós na pobreza. Em 2011, Thomas Piketty (n. 1971), um orgulhoso marxista ricardiano, previu que os capitalistas abocanhariam toda a renda, deixando o resto de nós na pobreza. Mas como sei que a recessão virá? Porque ela sempre veio no capitalismo moderno desde que começou a pulsar, na década de 1790. Antes, os altos e baixos das economias eram causados por guerras e quebras de safra, não pela própria economia —embora tivessem grandes impactos sobre ela. Desde então, aproximadamente a cada cinco anos ocorre uma recessão —e de vez em quando uma grande recessão. As crises econômicas antes da década de 1790 tendiam a se restringir a uma região ou outra. Desde então, elas quase sempre foram mundiais. Exceção interessante é a China, que tinha o padrão-prata em sua moeda e não sofreu a Grande Depressão da década de 1930, como a maioria das outras nações, que adotavam o padrão-ouro. Em vez disso, teve a causa antiquada de dificuldades econômicas, a guerra civil entre os chineses e a invasão japonesa. Por que essa pulsação? A causa imprevisível é a mudança tecnológica, cuja aceleração moderna foi possibilitada pelo novo liberalismo, que permitiu até aos pobres experimentar coisas em grande escala. As pessoas entram em pânico ou ficam maníacas —é assim que somos, oscilando entre pessimismo e otimismo injustificados. Então, novas tecnologias mecânicas, biológicas ou organizacionais pulsaram. Estava mais que na hora. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
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