A recuperação natural da imensa planície Pampa del Leoncito pode levar anos. A área protegida no norte da Argentina, localizada a 1.500 metros de altitude, ficou gravemente danificada depois que um motorista entrou no local com sua caminhonete 4x4, desrespeitando a proibição de circulação de veículos. A área estava temporariamente fechada à circulação porque as chuvas e o acúmulo de umidade haviam deixado a superfície especialmente vulnerável. O veículo percorreu cerca de 1,5 quilômetro antes de ficar atolado. A Pampa del Leoncito, também conhecida como Barreal Blanco, fica no departamento de Calingasta, no sudoeste da província de San Juan. O incidente ocorreu em um sábado, dia 8 deste mês, depois das 20h no horário local. Após visitar a área, o prefeito de Calingasta, Sebastián Carbajal, afirmou que os danos ambientais poderiam levar até cem anos para serem revertidos. Em um vídeo publicado nas redes sociais, a autoridade mostrou os profundos sulcos deixados pelo motorista, identificado como Agustín Añó, 46. "Vejam o sulco, o dano que ele causou", disse a autoridade. "Infelizmente, isso é um dano imensurável a esse patrimônio", acrescentou. Segundo a imprensa local, Añó teria avançado com o veículo até que ele ficasse atolado. Ao tentar sair, deu marcha a ré por vários metros, causando ainda mais danos ao terreno. Como não conseguiu retirar o veículo, o motorista teria tirado uma motocicleta que estava na caçamba da caminhonete para deixar o local. A Pampa del Leoncito é uma extensa planície esbranquiçada, que corresponde ao leito de um antigo lago que secou milhares de anos atrás. A região atrai turistas pelas paisagens excepcionais da Cordilheira dos Andes e pelas condições privilegiadas para a observação astronômica. A BBC Mundo entrou em contato com as autoridades locais, que, em resposta, enviaram as imagens que acompanham este artigo. 'Ele alegou que teve um imprevisto por causa do anoitecer e da água' O caso gerou indignação entre os moradores, e as autoridades pediram à Justiça que aplique sanções contra Añó, que é médico. O motorista teve que comparecer a um tribunal no dia 11, depois que o município entrou com uma ação judicial contra ele. O homem de 46 anos afirmou que desconhecia as restrições de acesso à planície, alegando que não havia sinalização no local. De acordo com a imprensa local, sua defesa também teria argumentado que as condições do terreno, onde havia acúmulo de água, o pegaram de surpresa. A defesa também teria apontado a escuridão como um fator que influenciou sua conduta. "Ele alegou que teve um imprevisto por causa do anoitecer e da água. Mas não é difícil perceber [as condições do local] e, além disso, ele conhece a região. Ele atravessou o local por volta das 20h de sábado", explicou o juiz de Paz de Calingasta, Andrés Troche, que investiga o incidente. O juiz determinou que o veículo não seja retirado do local para evitar danos ainda maiores ao terreno. "Em relação à caminhonete, determinei que ela permaneça no mesmo lugar em que está porque se trata de uma planície argilosa, com a agravante de que está cheia de água por causa das nevascas e das chuvas. Quando a caminhonete entrou, ela afundou cerca de 25 centímetros, e qualquer manobra para tentar retirá-la gera um tipo de sucção por parte da superfície", explicou o juiz, citado pelo portal de notícias Infobae. "Qualquer ferramenta que tentem utilizar corre o risco de ficar enterrada e provocar outro dano ainda mais grave", enfatizou. Troche solicitou a intervenção da Direção de Patrimônio para que seja avaliada "a existência do dano, sua gravidade e as condições ou possibilidades de retirada" do veículo. As autoridades confirmaram que o acesso à região permanecerá restrito pelo menos até o fim deste mês.
A indigna��o com os danos ambientais causados por um homem com sua caminhonete em ecossistema �nico na Argentina
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