A igualdade estatal � perigosa

A igualdade estatal � perigosa

Parte da reação populista contra a política estabelecida em muitos países, incluindo o Brasil e os EUA, é um ataque à tolerância à diferença. Você se lembra de como Bolsonaro pai disse que preferia ver seu filho morto a ter um filho gay? O partido de Donald Trump parece ter decidido que atualmente não pode perseguir os gays. Há muitos deles e, de qualquer forma, a maioria dos americanos decidiu ser tolerante. Afinal, começaram a dizer: "Eu tenho um primo gay, e ele é normal".Então, para ter um inimigo com o qual assustar as pessoas, os populistas conservadores dos EUA se voltaram para as mulheres trans. Trump demitiu todas as mulheres trans das Forças Armadas, independentemente de terem capacidades valiosas ou não. Ele aplica uma página antiga e desgastada do manual de jogadas de futebol americano do autoritarismo. Se você mantiver as pessoas aterrorizadas com o Outro, elas permitirão que você adote qualquer tática de Estado policial que possa imaginar. Mas cuidado. Você pode ser o próximo Outro.Esse é, por assim dizer, o argumento do interesse próprio para a tolerância. Eu mesma nunca pensei que, como mulher trans, estaria ameaçada. Achava que nós, norte-americanos, tivéssemos superado isso. Os brasileiros estavam muito à nossa frente. Outro argumento liberal contra a intolerância vai além das consequências negativas para você como indivíduo. Historicamente, a intolerância tem sido ruim para toda a sociedade. Sociedades intolerantes dão errado de várias maneiras. Produzem arte ruim e negócios ruins. Começam a se matar. Mas um argumento profundo contra a intolerância é simplesmente que ela é ruim por si própria. É ruim odiar pessoas. Claro, os autoritários tentam dar às pessoas um motivo para odiar, reduzindo tudo ao interesse próprio. Os Outros são perigosos, seja para você pessoalmente —imigrantes que roubam seu emprego—, seja socialmente —pessoas queer corrompendo as crianças. Você é incentivado a odiar bruxas porque elas podem matar suas ovelhas ou porque tolerá-las despertará a ira de Deus. O que fazer em relação à maldade do entrosamento? A resposta liberal é: "Escreva colunas na Folha". Nos últimos dez anos, a publicidade tem incluído discretamente casais birraciais. Filmes têm ampliado a nossa tolerância. Mas os estatistas, por serem antiliberais, querem usar a coerção do Estado para impor a tolerância. Muitos políticos do establishment de esquerda transformaram em lei o que chamamos nos EUA de "DEI": Diversidade, Igualdade, Inclusão. Se você é um comediante que diz insultos, vai preso. Se zomba de mulheres trans, vai preso. Prisão, prisão, prisão. É o jeito de pensar de um advogado. Algo está errado? Faça uma lei. Esqueça a persuasão. Mas meu nome começa com "DEI", então... Bem, falando sério, sou fortemente a favor dos três. A diversidade enriquece as ideias, a igualdade de direitos nos enriqueceu desde 1800 e a inclusão de mais pessoas nos tornou muito melhores material e espiritualmente. Incentivar a imigração, abolir a escravidão e dar às mulheres direitos iguais aos dos homens nos tornou pessoas melhores. Mas transformar Diversidade, Igualdade e Inclusão em lei inspirou a reação populista e suas prisões. Vamos dar um passo atrás. Vamos persuadir. Colunas Receba no seu email uma seleção de colunas da Folha LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

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