A economia progressista est� dando resultado

A economia progressista est� dando resultado

Poucas ideias sobrevivem tanto quanto a de que governos de direita são bons para a economia e governos progressistas a administram mal. A história já provou o contrário, mas essa "crença zumbi" sempre volta. Quatro décadas de neoliberalismo deixaram mais desigualdade, crises recorrentes e economias frágeis. Ainda assim, crescimento, contas públicas em ordem e inflação sob controle raramente são reconhecidos como marcas de governos progressistas —mesmo quando os resultados mostram o contrário. Essa armadilha dos conservadores transforma a distância entre resultados e percepção em uma poderosa ferramenta para minar a credibilidade da esquerda entre cidadãos que querem trabalhar, empreender e melhorar de vida. Brasil e Espanha têm mostrado, mais uma vez, que governos progressistas podem sim combinar justiça social com crescimento econômico. O presidente Lula (PT) ampliou políticas sociais, reviu benefícios fiscais desproporcionais e levou o desemprego ao menor nível da série histórica, com renda em alta e milhões fora da pobreza. Na Espanha, o premiê Pedro Sánchez combina forte crescimento com o menor déficit em quase 20 anos. Reformas melhoraram trabalho, produtividade e inovação, e metade das novas vagas da zona do euro é espanhola. A lição é simples: responsabilidade fiscal, crescimento e desenvolvimento não se contradizem. Reforçam-se. Essa visão inspira o Conselho Global sobre Nova Economia para o Século 21, que reúne economistas dispostos a superar o velho consenso de mercado e recolocar desigualdade, justiça social e bem-estar no centro das decisões. As transições demográfica, ecológica e digital exigem economias mais justas, produtivas, resistentes e soberanas. Espanha e Brasil já enfrentam o envelhecimento da população. A resposta da direita é cortar benefícios e transferir a conta aos mais pobres. A nossa é elevar a produtividade e tornar os impostos mais justos. O Brasil aprovou uma reforma do Imposto de Renda que isenta 15 milhões de trabalhadores e cobra mais de quem ganha muito. A Espanha taxou grandes fortunas e lucros extraordinários de bancos e empresas de energia. Na transição ecológica, o Brasil reúne ativos únicos: a maior floresta tropical, reservas de água doce e uma matriz elétrica renovável. Colocar a Amazônia no centro da política externa é reconhecer que crescimento e preservação caminham juntos. A Espanha também virou referência em energia limpa: mais da metade da eletricidade vem de fontes renováveis, reduzindo a dependência de petróleo e gás e o custo da energia. Na transição digital, poucas empresas controlam a infraestrutura de nossas economias e democracias. O Brasil responde com regulação das plataformas, apoio a data centers e regras para a inteligência artificial baseadas em riscos. A Espanha propôs impedir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais. Os dois países cobram responsabilidade das grandes plataformas e defendem uma inteligência artificial que respeite dignidade, autonomia e equidade. Tudo isso ocorre num mundo em que guerras, extremismo e decisões unilaterais enfraquecem o multilateralismo. Como ministros da área econômica, defendemos que diferenças entre países sejam resolvidas pela negociação e pela lei. O acordo entre Mercosul e União Europeia, construído com participação de nossos governos, é prova desse compromisso. Lula mantém diálogo com todos e reafirma a voz do Sul Global. Sánchez defende o direito internacional e mais autonomia estratégica para a Europa. Há quem ainda prefira a lei à força, a cooperação à divisão e a soberania digital a serviço das pessoas ao poder tecnológico concentrado. Nós somos essas pessoas. A esquerda será julgada pelo que muda na vida de cada um: melhores condições de trabalho, moradia que caiba no bolso e educação que abra oportunidades de verdade. Discurso nenhum substitui isso. Mais do que nunca, as pessoas precisam ver que o governo está do lado delas. TENDÊNCIAS / DEBATES Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Original Source

Read the full article at Www1 →

KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.