Esta coluna foi escrita antes do fechamento das urnas, com base nas pesquisas Datafolha e Quaest divulgadas na véspera, feitas em 2 e 3 de outubro, e nos resultados do TSE de eleições anteriores. Os números indicam que a lógica da disputa presidencial, organizada em dois polos, desceu para os estados. A medida mais simples é somar os votos válidos dos dois primeiros colocados em cada unidade da Federação. Nas pesquisas, a mediana dessa soma é de 87%. Nas urnas, foi de 76% em 2018 e de 81% em 2022. Em 11 estados os dois líderes concentram 90% ou mais dos votos válidos; eram dois em 2018 e sete em 2022. Quanto mais os votos se concentram em dois candidatos, maior a chance de alguém passar de 50%. Em 19 estados o líder aparece com metade ou mais dos votos válidos, e até 21 disputas podem terminar neste domingo (4), contra 13 em 2018 e 15 em 2022. Não é exatamente novidade, em 2014 a mediana era de 86%; em 2006, de 89%. A exceção foram justamente as duas últimas eleições, quando o colapso das siglas tradicionais pulverizou as disputas estaduais. O número de partidos competitivos também encolheu. Em 2018, 13 legendas elegeram governadores; em 2022, 11. Agora, apenas oito lideram as pesquisas em algum estado, o mesmo número de partidos que elegeram governadores em 2002 e 2006. Os partidos de um governador só, que foram cinco em 2018, reduzem-se ao Podemos, no Pará. Acompanhe na Folha em tempo real a apuração do 1º turno das eleições Quem ocupa o espaço são os partidos de direita e centro-direita. PSD, PL, PP e Republicanos lideram em 19 dos 27 estados; em 2022, lideravam em oito. O PL, que elegeu dois governadores em 2022, deve sair do primeiro turno com Santa Catarina, Roraima e Rondônia e tem Luciano Zucco no limite da maioria no Rio Grande do Sul, com 52%. No segundo turno, disputará o Paraná, onde Sergio Moro lidera com 43%, e com menos chances o Rio de Janeiro, se Eduardo Paes não fechar a eleição hoje. Pode chegar a seis governos, mas provavelmente terá cinco. O Republicanos, também com dois eleitos em 2022, deve confirmar no primeiro turno São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Governaria os dois maiores colégios eleitorais do país. No segundo turno, lidera no Espírito Santo e disputa o Acre, mas perde o Tocantins, onde não está entre os dois primeiros. Em 2020, esta colunista apontou que a capilaridade do partido nas eleições municipais sugeria crescimento orgânico; as pesquisas de 2026 reforçam aquele diagnóstico. Se Flávio Bolsonaro for derrotado na disputa presidencial, o desempenho nos estados dará ao Republicanos uma posição privilegiada na disputa pela liderança da direita em 2030. Tarcísio de Freitas, que deve se reeleger hoje em São Paulo, já é o preferido de muitos apoiadores desse campo que prefeririam não ver um candidato de sobrenome Bolsonaro na urna. Mas a nacionalização das disputas estaduais é assimétrica. O PL, de Flávio Bolsonaro, converte a polarização nacional em governos. O PT, de Lula, pode no máximo repetir os quatro estados de 2022, e só o Piauí está encaminhado; Bahia e Ceará estão em aberto, e perder esses estados seria simbólico. No Rio Grande do Norte, que o PT governa, o partido aparece em segundo lugar. Pesquisa não é urna, mas a direção é clara. Se os números se confirmarem, 2026 encerra o ciclo de fragmentação aberto em 2018 e devolve os estados a um sistema de poucos atores, agora com o centro de gravidade à direita. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
A direita ocupa os estados
Full Article
Original Source
Read the full article at Www1 →KhanList aggregates and links to publicly available news content. We do not host full articles from third-party sources. Always verify important information with original sources.