Os candidatos principais à Presidência da República mandam seus economistas contarem seus "planos para a economia" a gente da elite econômica, em especial da finança. Faz semanas é assim, vai ser assim nas próximas, antes e depois da eleição. Ainda assim, a elite agraciada com o privilégio nada republicano dessas visitas de esclarecimento não se diz esclarecida nem sobre os assuntos mais rudimentares dos "planos para a economia", que são o tamanho do gasto federal, dívida pública e taxas de juros. "Planos para a economia" vai entre aspas porque nessas conversas se trata mal e vagamente de problemas fiscais, apenas parte dos nossos problemas econômicos extensos e variados (ciência, pesquisa, infraestrutura, crédito subsidiado, agências reguladoras, plano para energia, eficiência administrativa do Estado, modos de incentivar fronteira produtiva nova etc.). Segundo algumas dessas pessoas privilegiadas, a conversa não vai muito além de uma tentativa de demonstração de "responsabilidade" com problemas fiscais. Ninguém acredita que Lula 4 fará mais do que um remendo. Não acreditam que Lula 4 vá adotar ao menos diretrizes propostas por Fernando Haddad logo no início de Lula 3 e vetadas de vez no final de 2025. Por falta de alternativa substantivamente melhor, por acharem que é menor a chance de Flávio Bolsonaro vir com mais impostos, por acharem que é maior a chance de desregulamentação e privatização, preferem a promessa vaga da direita. De resto, melhor direita do que esquerda. A turma de Lula 4 até agora apareceu com a ideia de que o arcabouço fiscal terá "ajustes". Isto é, taxa menor de crescimento da despesa do que a atual, de 2,5% ao ano (com reajuste menor do salário-mínimo, pois), acerto em benefícios sociais, limitação de gastos via emendas, menos favores com impostos ("gasto tributário"). Tais planos estariam em estudo. Talvez sejam apresentados em detalhe prático apenas a um Lula reeleito. Podem ser embalados em uma conversa de "pacto dos Poderes". Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Melhor do que nada, dizem, se for verdade, se passar pelo Congresso. Os mais simpáticos acham que Lula vai fazer "alguma coisa" até para evitar a falta absoluta de dinheiro livre no Orçamento de 2028 e para atenuar o risco de crise aguda. No grosso, não resolve. De resto, semana e pouco depois de uma dessas conversas, Lula voltaria a dizer que investimento não é gasto e que a "Faria Lima" quer engessar o governo etc., a mesma conversa do terceiro mandato. Qual Lula está valendo? De público, economistas do governo dizem que a dívida não cresce por causa do gasto primário, mas por causa dos juros (o que na aparência mais superficial e desinformada é verdade). Essa e outras bobagens são apenas para consumo externo, para a campanha, ou alguém acredita nisso? O que diz a turma dos Bolsonaro? A receita de bolo convencional para problemas fiscais, sem imaginação, passos do ajuste e tamanho de medidas. Que haverá um "time dos sonhos" (hum) para tocar tudo isso —mas há desconfiança na praça do que seria esse "time" e se teria apoio do presidente. O que Flávio Bolsonaro diz em público não faz lé com cré. Seguindo seu pai, é um demagogo, sem compromisso de fundo com reforma econômica, mesmo a liberal. Quase ninguém acredita que a candidatura da direita ora saiba do que está falando. Mas acha que há mais chance de sair "reforma" por aí. Com Lula, "reformas" maiores estariam limitadas de antemão. LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
A conversa fiada que candidatos contam � elite privilegiada por informa��o exclusiva
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