A 100 dias do Enem, prepara��o exige organiza��o, an�lise de erros e equil�brio; confira dicas

A 100 dias do Enem, prepara��o exige organiza��o, an�lise de erros e equil�brio; confira dicas

A preparação dos mais de cinco milhões de inscritos confirmados no Enem 2026 entra em fase decisiva. Faltando cem dias para a primeira prova, especialistas afirmam que esse já não é o momento de tentar aprender todo o conteúdo do ensino médio, mas de revisar o que foi estudado, identificar lacunas e adotar estratégias capazes de aumentar o desempenho no exame. "O aluno deve partir do princípio de revisar o que já fez. A ideia é entender onde estão os gargalos de aprendizagem e direcionar mais esforços para esses pontos", afirma Pedro Oscar, coordenador pedagógico do Poliedro. Esse diagnóstico depende da análise dos erros. Para Natália Guedes, coordenadora de orientação educacional do Poliedro, muitos candidatos ainda negligenciam essa etapa. "Muitos alunos fazem uma prova e acreditam que apenas o resultado basta. A correção permite identificar os gargalos e entender onde estão as dificuldades", explica. A análise dos erros também ajuda a definir prioridades. Pela TRI (Teoria de Resposta ao Item), acertar questões fáceis e médias costuma ter mais impacto na nota do que investir tempo em conteúdos pouco frequentes e de maior complexidade. Simulados devem reproduzir a realidade da prova Além do conhecimento, o Enem exige resistência física, controle emocional e boa gestão do tempo. Marcos Raggazzi, diretor-executivo das unidades escolares do Bernoulli, explica que um dos principais erros é tratar o simulado apenas como uma forma de medir conteúdo. "O Enem não avalia apenas conhecimento. Ele também mede a capacidade de resistir ao desgaste físico e emocional de permanecer cinco horas fazendo prova. Esse treinamento de verdade só acontece no simulado", afirma Raggazzi. A recomendação é reproduzir no simulado as condições reais do exame, como fazer a prova no mesmo horário do Enem, evitar interrupções, controlar o tempo e testar alimentação e estratégias de descanso. "Se você faz a prova de manhã, seu corpo e sua concentração funcionam de maneira diferente. O ideal é simular a realidade do Enem para desenvolver também o preparo psicológico e corporal", afirma Rafaela Quintella, coordenadora do ensino médio e pré-vestibular do Pensi. Matemática e redação continuam decisivas Matemática e redação seguem como as áreas mais importantes para elevar a nota final. A coordenadora do Pensi recomenda que essa fase seja usada para estudar os critérios de correção da redação, consultar o manual do candidato, analisar redações nota mil e manter uma rotina constante de produção textual. "É fundamental que o aluno conheça os critérios de correção e entenda exatamente o que pode gerar perda de pontos. O Enem disponibiliza muitas informações sobre isso e elas precisam ser aproveitadas", afirma Rafaela. A recomendação é produzir pelo menos uma redação por semana, sempre com correção e análise dos erros. A reescrita dos textos também pode ajudar a corrigir falhas recorrentes.Além da estrutura do texto dissertativo-argumentativo cobrado na prova escrita, os especialistas ressaltam a importância do repertório sociocultural, construído por meio da leitura de livros e notícias, séries, podcasts e até filmes. Em matemática, a estratégia também é priorizar conteúdos recorrentes, como estatística, razão, proporção e interpretação de gráficos. "Quando olhamos para a pontuação do Enem, matemática é uma disciplina que tem um peso muito grande", explica Rafaela. "Mesmo para quem não pretende seguir uma carreira de exatas, ela pode fazer bastante diferença na nota final." Estudar mais nem sempre significa estudar melhor Nessa fase final de preparação, aumentar a carga de estudos nem sempre é a melhor estratégia. Segundo os especialistas, um dos erros mais comuns é tentar recuperar todo o conteúdo que ficou para trás, em vez de concentrar esforços na revisão e no aperfeiçoamento do que já foi aprendido. A orientação é manter um plano de estudos realista, priorizar conteúdos recorrentes e evitar mudanças bruscas na rotina. Também é importante direcionar o tempo para os assuntos em que o estudante apresenta mais dificuldade, sem abandonar a revisão dos temas de maior incidência no exame. Para os especialistas, a reta final deve ser usada para consolidar conhecimentos e corrigir falhas, não para começar uma maratona de conteúdos inéditos. O excesso de estudos também pode prejudicar a preparação. Especialistas alertam que reduzir horas de sono, abandonar a atividade física ou abdicar dos momentos de lazer tende a comprometer o rendimento. "Trocar tempo de qualidade de sono ou atividade física por estudo excessivo é um ledo engano. O corpo cobra um preço alto por isso", afirma Raggazzi. Para Natália Guedes, o equilíbrio continua sendo uma das palavras-chave. "A vida não para durante a preparação para o vestibular. É importante manter momentos de lazer, equilibrar isso com a disciplina e seguir focado no objetivo." O que priorizar a 100 dias do Enem Com base nas recomendações dos especialistas consultados pela Folha, confira as principais dicas para essa fase de preparação para o Enem 2026: Revise antes de aprender algo novo: Priorize os conteúdos já estudados e retome apenas as lacunas identificadas durante exercícios e simulados Analise os erros com atenção: Não basta conferir o gabarito. Entender por que você errou ajuda a corrigir falhas e evita repeti-las na prova Faça simulados nas condições reais do Enem: Resolva provas antigas no mesmo horário do exame, cronometre o tempo e evite interrupções para treinar resistência e gestão do tempo Priorize o que mais cai na prova: Em vez de tentar estudar todo o edital, concentre esforços nos temas mais frequentes e nas questões de baixa e média dificuldade, que costumam ter maior peso dentro da TRI Conheça seus pontos fortes e fracos: Antes de definir o que estudar, identifique em quais disciplinas e conteúdos você tem mais dificuldade para direcionar melhor o tempo de revisão

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